SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Nova vice-presidente da Colômbia, Francia Márquez está articulada com movimentos sociais ao redor da América Latina, incluindo o Brasil. Em março deste ano, a advogada encontrou a irmã da vereadora Marielle Franco, Anielle, e pediu justiça para a política, assassinada em março de 2018.
Fotos do encontro entre Francia e Anielle mostram a agora vice-presidente segurando uma bandeira de pano com ilustração da vereadora e os dizeres: "Justiça por Marielle".
Na época, Anielle publicou nas redes sociais sobre o evento, que ocorreu em Bogotá, na Colômbia. "Minha irmã chegaria a uma candidatura à presidência? Creio que sim! Nos tiraram a chance de tentar chegar lá, mas não nos tiraram a chance de sonhar!", afirmou.
"Viva a conexão Afrolatina e a certeza de que as mulheres negras afrodiaspóricas estão à frente dos processos de transformação da latinoamerica e do mundo! Muito honrada em ter feito parte desse momento!", completou.
Francia é a primeira mulher negra a chegar ao Executivo na Colômbia, com a chapa do senador de esquerda Gustavo Petro, da coalizão Pacto Histórico. Neste domingo (19), a chapa deles venceu as eleições com 50,49% dos votos.
A ativista ambiental é considerada um "ar fresco" na política: a advogada de 40 anos é ativista ambiental e nasceu na comunidade de La Toma, de maioria negra, na cidade de Suárez, em Cauca, um dos estados mais pobres e com maiores índices de violência da Colômbia.
Em 2018, Francia ganhou o Prêmio Goldman, conhecido como o "Nobel do Meio Ambiente", por sua luta ambiental na região. Também foi representante legal do Conselho Comunitário de La Toma, entidade que exige a proteção dos territórios ancestrais negros da Colômbia. No ano seguinte, em 2019, a advogada foi alvo de um atentado com granadas e rajadas de fuzil em represália à sua militância.
Durante os discursos de campanha, Márquez afirmou que irá trabalhar pelas mulheres, negros, indígenas, camponeses e pela população LGBTQIA+ bandeiras semelhantes às de Marielle no Brasil.



