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Nova versão de Piñera saiu-se melhor na campanha do Chile

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Sempre foi o cenário apontado como mais provável por analistas chilenos, no entanto, na segunda etapa da campanha eleitoral o triunfo do ex-presidente Sebastián Piñera (2010-2014) parecia não estar garantido, depois de seu desempenho ter ficado bem abaixo do esperado no primeiro turno. O desespero do então candidato da aliança de centro-direita Chile Vamos deixou claro que nada estava definido. A tal ponto que Piñera, pela primeira vez em sua vida, defendeu a gratuidade — embora limitada — da educação, uma das bandeiras do governo da presidente Michelle Bachelet e de seu rival, Alejandro Guillier. Era necessário captar votos de centro, porque os votos de direita não alcançariam para retorná-lo ao Palácio de la Moneda. E, assim, Piñera construiu uma nova versão de si mesmo, mais moderada e aberta a discutir questões que antes sequer mencionava. Paralelamente e para sua satisfação, a centro-esquerda chilena mostrava-se incapaz de reconstruir alianças e acordos tão importantes no passado e que, nesta eleição, confirmaram exatamente isso: ser parte de um passado que dificilmente voltará.

A antiga Concertação entre socialistas e democratas cristãos que marcou o retorno democrático, em 1990, não tem a menor chance de ressurgir das cinzas. O começo do fim foi a decisão da Democracia Cristã de ter uma candidata independente nesta eleição presidencial, a senadora Carolina Goic, derrotada no primeiro turno, com apenas 5,9% dos votos. A presidente Michelle Bachelet não teve outra opção a não ser apoiar Guillier, um senador, ex-jornalista e ex-apresentador de TV, que passou toda a campanha se apresentando como “o candidato da cidadania e não dos partidos”. Certificado de óbito para a coalizão que chegou ao poder após a violenta e sinistra ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

Longe ficou a ilusão de ter um socialista na Presidência como a senadora Isabel Allende, filha do ex-presidente Salvador Allende (1970-1973), ou até mesmo o ex-chefe de Estado Ricardo Lagos (2000-2006). Guillier era o mais bem posicionado nas pesquisas, apropriou-se da candidatura oficial e, sua derrota, significa o fim de um ciclo político para a centro-esquerda chilena.

O ciclo que se abre a partir de agora ainda é um grande mistério. Piñera pode cumprir suas promessas desta segunda fase da campanha ou implementar um programa de governo de centro-direita puro, confirmando que suas declarações nas últimas quatro semanas foram apenas estratégia para chegar ao poder. A centro-esquerda em crise também tem de encontrar seu caminho, assim como a Frente Ampla, fenômeno eleitoral de 2017. De outro modo, o Chile pode ter um horizonte de pelo menos oito anos de governos de direita. Mas só o tempo dará as respostas.

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