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Nobel da Paz e líder de Mianmar, Suu Kyi é pressionada a proteger rohingyas

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NAYPIDAW E WASHINGTON — A fuga de mais de 160 mil integrantes da minoria rohingya de Mianmar para o vizinho Bangladesh em pouco mais de uma semana, a fim de escapar de uma violenta perseguição que deixou mais de 400 mortos, levou a uma inédita pressão sobre a Prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, que já envolve importantes senadores americanos, ativistas de direitos humanos e uma campanha para retirar-lhe a honraria concedida em 1991. Embora tenha sido impedida de concorrer nas eleições, vencidas por seu partido, Suu Kyi é a governante de fato de Mianmar desde que o país foi entregue aos civis após seis décadas sob domínio dos militares, que ainda mantêm enorme influência.

A violência em Mianmar irrompeu em 25 de agosto, quando postos de polícia foram atacados por membros do grupo separatista Exército de Salvação Rohingya de Arakan. Segundo relatos, a reação das forças do governo do país de maioria budista e de grupos armados se abateu sobre aldeias da minoria muçulmana, com centenas de mortes, levando a um êxodo.

A líder birmanesa rompeu o silêncio pela primeira vez anteontem em seu Facebook, alegando haver “um enorme iceberg de desinformação” sobre a violência em seu país, culpando “terroristas” pelos acontecimentos e sem fazer qualquer menção aos rohingyas. Ontem, numa entrevista, ela voltou a se pronunciar, argumentando defender todos os cidadãos do país.

— Nossos recursos não são tão completos e adequados como gostaríamos mas mesmo assim, tentamos fazer nosso melhor e queremos nos certificar que todo mundo tenha direito à proteção da lei — disse ela.

A demora em se manifestar e a recusa em se posicionar abertamente em defesa da minoria levou à criação de uma campanha para retirar-lhe o Prêmio Nobel, concedido em 1991 por seu ativismo pela democracia em Mianmar, onde passou mais de 15 anos presa. Mais de 360 mil pessoas já assinaram a petição. Nos Estados Unidos, um grupo bipartidário com quatro senadores — entre eles o republicano John McCain e a democrata Dianne Feinstein — emitiu uma resolução conjunta condenando “os terríveis atos de violência” contra os rohingyas e pedindo a Suu Kyi “desempenhar um papel ativo em pôr fim a esta tragédia humanitária”. A resolução pede acesso irrestrito da ONU à área onde vive a minoria muçulmana. Em Oslo, a Fundação Nobel disse ser impossível retirar o prêmio.

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