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Moreno terá série de desafios após triunfo em referendo no Equador

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QUITO — O resultado favorável na consulta popular que impede o retorno de Rafael Correa à Presidência pode ter sido a primeira importante vitória de Lenín Moreno desde sua chegada ao Palácio de Carondelet, em maio do ano passado. Mas esse triunfo nem de longe sinaliza que o sucessor de Correa terá vida fácil. Sem a sombra do ex-presidente, com quem rompeu após assumir o cargo, Moreno tem agora a missão de apresentar um projeto político próprio, e com isso corre o risco de desagradar tanto aos correístas que o levaram à Presidência quanto à oposição, de quem se aproximou na tentativa de se livrar do fantasma do líder da autoproclamada “Revolução Cidadã”.

— Ainda não se sabe qual é o projeto político de Lenín Moreno, exceto por seus esforços para se distanciar de Correa — afirmou o cientista político Farith Simón, da Universidade San Francisco de Quito, ao diário argentino “La Nación”. — Ele ainda não nos disse o que quer do país.

O presidente também tem nas mãos a tarefa de fazer com que o déficit fiscal previsto para 2018 não afete seus projetos mais emblemáticos, como a construção de 325 mil casas e os planos sociais de saúde, educação e cuidados permanentes para os idosos. Para Jaime Carrera, analista do Observatório da Política Fiscal do Equador, Moreno deverá equilibrar as iniciativas com uma redução dos gastos públicos — uma tarefa difícil, já que o governo deve financiar cerca de US$ 11 bilhões (R$ 35,8 bilhões) derivados do déficit fiscal e de serviços da dívida pública.

Trégua com a oposição deve acabar

Com a debandada de apoiadores de Correa, o presidente — com índices de aprovação de mais de 70%, segundo pesquisas — passou a contar com apenas 47 dos 137 deputados da Assembleia, e precisará do apoio da oposição para seus projetos. Na opinião de analistas, a consulta popular também deve funcionar como um divisor de águas no governo de Moreno. Com a vitória, ele deverá começar a responder às aspirações de seus novos apoiadores, principalmente o setor empresarial.

— O setor empresarial e a oposição tiveram paciência até agora com Moreno porque sabiam que o principal objetivo era recuperar a institucionalidade do governo — disse ao “La Nación” o economista José Hidalgo Pallares, diretor da consultora Cordes. — Agora começa a etapa mais difícil, já que a oposição voltará a atuar como tal, e os empresários cobrarão mudanças na economia. Será o momento de deixar de denunciar e começar a governar.

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