Início Mundo Moradores deixam Oleshky, cidade ocupada pela Rússia, após trégua negociada por Melania Trump
Mundo

Moradores deixam Oleshky, cidade ocupada pela Rússia, após trégua negociada por Melania Trump

Reuters
Moradores deixam Oleshky, cidade ocupada pela Rússia, após trégua negociada por Melania Trump
Moradores deixam Oleshky, cidade ocupada pela Rússia, após trégua negociada por Melania Trump

Por Dan Peleschuk

KIEV, 30 Out (Reuters) - Moradores famintos e exaustos de uma cidade controlada pela Rússia no sul da Ucrânia foram retirados de ônibus nesta sexta-feira, como parte de uma operação conjunta de assistência humanitária realizada pelas partes em conflito -- a primeira do tipo em quatro anos e oito meses de guerra.

Sob um cessar-fogo local mediado pela primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, um comboio de ajuda humanitária chegou à cidade de Oleshky para distribuir alimentos e medicamentos.

Aqueles que desejavam partir -- alguns para a Rússia, outros para a Ucrânia -- foram levados inicialmente para a Crimeia, anexada pela Rússia, em 25 ônibus e nove ambulâncias, disse a comissária russa de direitos humanos, Yana Lantratova, antes de se dividirem em comboios separados.

 O parlamentar ucraniano David Arakhamia disse que os que se dirigiam à Ucrânia seriam levados de lá para Anapa, no sul da Rússia, antes de voarem para a Belarus e, finalmente, cruzarem de volta para a Ucrânia de ônibus.

Embora tenha sido um exemplo marcante de cooperação entre os lados em conflito, um porta-voz do presidente russo, Vladimir Putin, descreveu a situação como “difícil de extrapolar” para uma busca mais ampla pela paz.

O conflito continuou em outros locais, com ataques russos durante a madrugada visando sete regiões da Ucrânia, a capital Kiev e a cidade de Dnipro, no sudeste do país, segundo autoridades. Na quinta-feira, um drone russo matou pelo menos 15 pessoas em uma plataforma ferroviária em Dnipro.

A Rússia afirmou que a Ucrânia retomou os ataques às suas refinarias de petróleo, apesar de um pedido do presidente dos EUA, Donald Trump, para que fossem interrompidos. O norte-americano credita o aumento do preço do diesel, antes das eleições de meio de mandato na próxima semana, a esses ataques. Não houve comentários por parte da Ucrânia.

MORADORES NO LOCAL

Não ficou claro quantas pessoas optaram por permanecer em Oleshky, que sofreu danos extensos na guerra e foi gravemente inundada após a destruição da barragem de Kakhovka em 2023.

Os moradores relataram histórias angustiantes de como arriscaram suas vidas percorrendo estradas repletas de minas -- uma delas conhecida como “estrada da morte” -- para conseguir comida e água. Alguns dizem ter sobrevivido com pouco mais do que uma xícara de arroz ou trigo sarraceno por dia.

“O problema é que muitas pessoas estão ficando para trás”, disse uma mulher ao ouvidor de direitos humanos da Ucrânia, Dmytro Lubinets, que estava no local para coordenar a operação com Lantratova.

“Disseram-me que é uma escolha delas”, respondeu Lubinets. “No mínimo, faremos o que pudermos para garantir que, de alguma forma, a ajuda humanitária chegue até lá.”

Em outro vídeo, ele abraçou uma mulher que se apresentou como Anna e perguntou se ela já havia feito as malas e estava pronta para partir.

“Sim, estamos no ônibus 20, meu filho está no ônibus 17. Para a Ucrânia”, disse ela.

Os dois lados elogiaram a primeira-dama dos EUA por intermediar o acordo, com a participação adicional do papa Leão. Kiev e Moscou têm motivos para garantir um acordo e evitar antagonizar o presidente dos EUA antes das eleições de meio de mandato, com as negociações de paz mediadas pelos EUA previstas para serem retomadas em novembro, após um intervalo de nove meses.

Para a Rússia, que tomou Oleshky nos primeiros dias da guerra em 2022, a operação também representa uma oportunidade de relações públicas. A TV estatal russa mostrou caixas de ajuda destinadas a Oleshky, decoradas com a bandeira russa, sendo carregadas por pessoas vestindo camisetas com os dizeres “Equipe de Putin -- A Frente Popular”.

A russa Lantratova afirmou que alimentos, produtos de higiene, suprimentos médicos e combustível estavam sendo entregues. O ucraniano Lubinets disse que todos que precisassem de ajuda a receberiam.

As relações entre os dois foram cordiais -- algo inédito entre autoridades russas e ucranianas desde o início da guerra --, enquanto apareciam lado a lado para falar com os jornalistas.

Posteriormente, falaram juntos com moradores, alguns deles em lágrimas. Uma mulher alternava hesitante entre o russo e o ucraniano, em um momento que parecia simbolizar a situação difícil de pessoas amedrontadas, presas no meio de uma guerra.

(Reportagem de Dan Peleschuk em Kiev, Jekaterina Golubkova em Tóquio e da Redação de Moscou)

Siga-nos no

Google News

Receba o Boletim do Dia direto no seu e-mail, todo dia.

Comentários (0)

Deixe seu comentário

Resolva a operação matemática acima
Seja o primeiro a comentar!