PARIS - Dois ministros do governo francês, incluindo a nova chefe da pasta de Defesa, anunciaram nesta terça-feira que estão deixando seus cargos enquanto o presidente Emmanuel Macron reforma seu gabinete para cumprir uma promessa de campanha de colocar mais ética na política.
A ministra da Defesa, Sylvie Goulard, era mulher mais prominente do gabinete Macron e foi nomeada há pouco mais de um mês. Ela sugeriu em um comunicado que decidiu abandonar o governo para evitar prejudicar os esforços de Macron na luta contra a corrupção.
Goulard é integrante do partido centrista Modem, aliado do “República em movimento!” de Macron. O Modem está sob investigação por supostamente ter usado assessores recebendo salários do Parlamento Europeu para realizar trabalhos para o partido. Goulard disse que queria ficar livre para “mostrar minha boa fé” na investigação.
Os observadores dizem que sua decisão coloca mais pressão pela renúncia no ministro da Justiça, François Bayrou, o fundador e líder do Modem. Como ministro da Justiça, Bayrou está encarregado de promover um projeto de lei para “restaurar a confiança” na política.
A ministra dos Assuntos Europeus, Marielle de Sarnez, outra integrante do Modem, também está envolvida nas investigações sobre os assessores do Parlamento Europeu. Sarnez, que foi eleita para a Assembleia Nacional francesa no domingo, não descartou sua saída do governo para liderar o grupo do Modem na câmara baixa do Parlamento.
- Tudo está aberto - disse ela ao jornal “Parisien”.
Todos os três negam qualquer malfeito.
Outro ministro que está enfrentando uma investigação não relacionada anunciou nesta terça-feira que estava deixando o governo para liderar o grupo de legisladores eleitos sob a bandeira do partido Macron para a Assembléia Nacional.
O ministro da Coesão Territorial, Richard Ferrand, disse na RTL que sua nova posição é um “trabalho estratégico” e um “sinal de confiança” de Macron.
Ferrand está sob investigação por supostos conflitos de interesse relacionados às suas práticas comerciais passadas. Ele nega qualquer coisa ilegal, mas reconhece que alguns velhos hábitos não são mais aceitos pelo público.
Macron está reorganizando o gabinete depois que seu partido obteve uma maioria parlamentar nas eleções do último domingo. O novo governo deve ser anunciado até esta quarta-feira à tarde.

