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México revive pesadelo com tremor e mais de 130 mortos

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CIDADE DO MÉXICO - Exatamente 32 anos após o terremoto mais devastador de sua História, em 19 de setembro de 1985, o México reviveu ontem parte do pesadelo com um tremor de 7,1 graus de magnitude, que deixou pelo menos 139 mortos, fez edifícios inteiros desabarem na capital, onde 36 pessoas morreram, e causou pânico entre moradores, com pessoas presas nos escombros. Apenas no estado de Morelos, próximo ao epicentro do sismo, foram registradas ao menos 64 vítimas fatais. O presidente Enrique Peña Nieto, que se dirigia para Oaxaca — onde outro tremor matou mais de 90 pessoas no início do mês — voltou às pressas para a capital, anunciando a ativação do “PlanMX” — um programa federal para proteger o patrimônio e cidadãos em situações de emergência.

“Farei um sobrevoo sobre a capital e terei uma reunião de coordenação em Los Pinos. Também determinei que os serviços de emergência do IMSS (Instituto Mexicano de Previdência Social) e do ISSSTE (Instituto de Segurança e Serviços Sociais dos Trabalhadores) estejam abertos a toda a população”, escreveu o presidente, em uma série de mensagens no Twitter. “Ordenei a evacuação dos hospitais danificados e que os pacientes sejam trasladados para outras unidades médicas.”

O epicentro do sismo, às 13h14m (horário local), foi registrado a 12 quilômetros de Axochiapan, na cidade de Raboso no estado de Morelos, a uma profundidade de 57 quilômetros, segundo o Serviço Sismológico Nacional. Além dos mais de 60 mortos no estado, outras 29 pessoas faleceram em Puebla, além da capital, mas os números tendem a aumentar. O sismo chegou a ser sentido em Oaxaca, uma das zonas mais afetadas pelo terremoto que atingiu o país no último dia 8 — de magnitude 8,1. Peña Nieto foi surpreendido pela notícia quando se dirigia ao estado para avaliar os danos do tremor anterior.

A 105 quilômetros do epicentro, na Cidade do México — a mais populosa do país, com nove milhões de habitantes —, o sismo provocou pânico e correria, além de rastros de destruição depois que 27 edifícios desabaram, dentre eles uma escola.

— Chegamos ao colégio e todo mundo estava chorando. Todo mundo ficou desesperado, e as crianças se agarraram a uma corda — contou Jorge López, de 49 anos, que estava com os filhos de 6 e 3 anos, à AFP.

Os serviços elétricos e de telefonia também sofreram cortes ao longo do dia — mais de 3,8 milhões de pessoas ficaram sem energia —, e alguns sinais de trânsito deixaram de funcionar. As operações aéreas foram suspensas no Aeroporto Internacional Benito Juárez, afetando 180 voos, e funcionários da Proteção Civil advertiram à população sobre o risco de vazamento de gás. O chefe do governo, Miguel Ángel Mancera, decretou estado de emergência.

— A prioridade no momento é o resgate de pessoas presas nos edifícios derrubados — afirmou, fazendo um apelo para que a população não volte para casas que foram afetadas.

Nas TVs locais e nas mídias sociais, centenas de imagens mostravam prédios que desabaram na capital e carros esmagados por blocos de concreto.

— As pessoas estão realmente assustadas agora — contou à AFP a dentista Claudia Meneses, que estava em sua clínica no bairro de Lindavista, na capital, quando o tremor ocorreu. — Nós vamos para um prédio que caiu para ver se podemos ajudar.

Segundo o governador do estado de Morelos, Graco Ramírez, as aulas foram suspensas no estado. Uma ponte caiu.

— Nossa prioridade é a atenção e todo o apoio às vítimas deste terrível sismo. Pedimos que todos mantenham a calma e a tranquilidade e evitem as rodovias afetadas.

O sismo aconteceu duas horas depois de uma simulação realizada a cada 19 de setembro, para prevenir uma nova catástrofe.

— Estou consternada, não consigo conter o choro. É o mesmo pesadelo de 1985 — lamentou Georgina Sánchez, 52 anos.

Ao GLOBO, a jornalista brasileira Larissa Ramires, que mora na Cidade do México há dois meses, elogiou a preparação dos mexicanos. Ela revelou que sentiu o tremor, mas conseguiu manter a calma e seguir todas as orientações.

— Eu estava em uma grande avenida, chamada Paseo de la Reforma. Estava em um Uber, parada no cruzamento. Nem ouvimos o alarme, e já começamos a ouvir o tremor. Vi os sinais tremendo, as placas tremendo.

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