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Merkel conversa com Lukachenko sobre crise migratória, em diálogo raro entre líderes

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Diante da crise migratória na fronteira da Belarus com países da União Europeia, a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, conversou por telefone com o ditador Aleksandr Lukachenko nesta segunda (15), segundo um porta-voz do governo alemão, em uma rara ligação entre os dois líderes.

"A primeira-ministra e Lukachenko falaram sobre a difícil situação na fronteira da Belarus e da União Europeia --especialmente sobre a necessidade de ajuda humanitária para os refugiados e migrantes que lá estão", afirmou em comunicado o porta-voz do governo alemão, Steffen Seibert. Segundo ele, os dois concordaram em manter o diálogo sobre essas questões.

Primeiro contato entre o ditador belarusso e um líder ocidental desde a eleição do ano passado, a conversa vem na esteira do endurecimento das sanções europeias, gerado pela crise migratória.

Um quinto pacote de medidas foi aprovado pelos chanceleres do bloco e será finalizado nos próximos dias, anunciou o chefe da diplomacia da UE, Josep Borrell. As sanções visam linhas aéreas, agências de viagens e indivíduos envolvidos nessa "pressão ilegal de migrantes".

A UE tenta interromper o que diz ser uma política da ditadura de Lukachenko para empurrar migrantes em direção aos países do bloco, em uma vingança por sanções aplicadas após a repressão do regime a manifestantes que foram às ruas protestar contra a reeleição do líder belarusso no ano passado, em pleito considerado fraudado.

Os migrantes --a maioria de Iraque e Afeganistão-- começaram a chegar às fronteiras terrestres da Belarus com a UE neste ano, tentando atravessar para países-membros como Lituânia, Letônia e Polônia, em rotas que não eram utilizadas antes.

Há relatos de falta de comida e imagens em redes sociais de fogueiras e acampamentos improvisados ao longo da fronteira. O duro frio da região promete um inverno de sofrimento para os refugiados, que segundo as autoridades europeias foram atraídos de propósito à Belarus --que nega, dizendo que os migrantes estão legalmente no país.

Em outra frente, o presidente da França, Emmanuel Macron, e o da Rússia, Vladimir Putin, concordaram sobre a necessidade de uma desaceleração da crise migratória, ainda que os dois líderes discordem sobre a origem da crise, afirmou um assessor do mandatário francês nesta segunda.

"O objetivo dessa ligação foi para encerrar essa crise", afirmou um assessor de Macron após o telefonema de 1 hora e 45 minutos. "Na questão da migração, mesmo que não haja convergência sobre sua origem na fronteira da Belarus, Vladimir Putin disse ao presidente que entendia a necessidade de colocar um fim nela, antes de mais nada por decência humana para os migrantes que estão sendo instrumentalizados."

Também de acordo com o assessor, a França ofereceu sua total solidariedade à Polônia e permanece pronto para ajudar.

A ligação de Macron faz coro à pressão da Casa Branca, que instou a Rússia nesta segunda a usar sua pressão para interromper a crise migratória. Segundo a secretária de Imprensa, Jen Psaki, os EUA estão trabalhando com aliados, inclusive da UE, para lidar com o que a porta-voz chamou de "exploração e coerção de pessoas vulneráveis" realizadas pelo regime de Lukachenko.

Em meados deste ano, Belarus se tornou um ponto focal para refugiados de países afetados por guerras. Segundo a UE e a Otan, a atração visou criar uma situação de instabilidade nas fronteiras de vizinhos pertencentes aos blocos.

Na última segunda (8), a situação se agravou com uma série de tentativas de invasões por parte de refugiados junto à Polônia. Segundo o governo de Belarus, 2.000 já foram devolvidos ao país. Com dificuldade diante das evidências, a ditadura belarussa nega que tenha estimulado o movimento e denuncia a violência com que poloneses tratam quem consegue entrar em suas fronteiras.

A crise gerou ainda movimentos militares. Reino Unido e Rússia enviaram tropas, e Putin empregou dois bombardeiros estratégicos para mostrar apoio ao regime de Lukachenko.

Diante da situação, o ditador belarusso ameaçou ainda cortar o fornecimento de gás russo para a Europa, que passa pelo seu território.

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