Pelo menos 33 países, distribuídos por seis continentes, já orientam oficialmente a população a manter em casa reservas de comida, água e outros itens de emergência. A lista inclui Estados Unidos, Canadá, México, Japão, Índia, Austrália, África do Sul e Brasil, além de mais de uma dezena de nações europeias, e vem crescendo nas últimas semanas. As autoridades justificam os alertas com o aumento das tensões geopolíticas, o risco de ataques cibernéticos e a frequência de eventos climáticos extremos.
As recomendações variam de país para país. No Reino Unido, uma campanha nacional pede que as famílias tenham alimentos não perecíveis e água suficientes para pelo menos 72 horas, o equivalente a nove litros de água por pessoa. Na Alemanha, a orientação é de reservas para até dez dias. No Japão, o governo fez um apelo para que cada casa guarde ao menos três dias de comida, água e produtos de higiene, de preferência para uma semana, coincidindo com a criação de uma nova agência de gestão de desastres. Na França, o governo regional da Normandia pediu que os moradores se preparem antes que uma emergência aconteça.
A lista de itens é parecida em quase todos os lugares: alimentos que dispensam refrigeração e cozimento, água potável, medicamentos, kit de primeiros socorros, lanternas, pilhas, rádio a bateria e carregadores portáteis. Famílias com bebês e animais de estimação devem incluir fórmula infantil, fraldas e ração.
Os próprios governos afirmam que as campanhas não indicam uma crise iminente. A ideia, segundo as autoridades, é que as pessoas consigam enfrentar interrupções temporárias no fornecimento de energia, água e alimentos enquanto aguardam socorro, o que permite às equipes de emergência priorizar quem mais precisa. Verificações de fatos também lembram que esse tipo de orientação existe há décadas e que as publicações nas redes sociais que apontam uma coordenação global e um evento catastrófico próximo não têm respaldo.
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