Início Mundo Maduro chama políticos chavistas de ‘judeus do século XXI’
Mundo

Maduro chama políticos chavistas de ‘judeus do século XXI’

CARACAS — O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse que os políticos chavistas são os "judeus do século XXI", ao denunciar a “escalada fascista” contra partidários e familiares de funcionários do governo, em um conselho de ministros na noite de terça-feira. O comentário foi transmitido pela TV estatal após uma nova jornada da onda de protestos contra seu governo, que ocorrem quase diariamente desde o dia 1º de abril. Nesta quarta-feira, mais um manifestante morreu após ser baleado no estado de Táchira, aumentando o número de vítimas para 43.

A Procuradoria venezuelana afirmou que está investigando a morte do adolescente de 15 anos durante uma manifestação em São Cristóbal, capital de Táchira. O estado, na fronteira com a Colômbia, será militarizado por ordem de Maduro. A Venezuela vive um momento de turbulência política por causa dos protestos contra o governo Maduro. O presidente chavista criticou a atitude de alguns opositores de hostilizar e repudiar publicamente funcionários, familiares e partidários do governo na Venezuela e no exterior.

— Somos os novos judeus do século XXI. Não carregamos a estrela de Davi amarela, mas levamos o coração vermelho da vontade de lutar pela dignidade humana e vamos derrotar os nazistas do século XXI — declarou Maduro durante uma reunião do gabinete transmitida pela TV estatal.

A agitação política na Venezuela teve eco nas redes sociais, onde são difundidas listas e endereços das casas de funcionários e familiares do governo, assim como videos os insultando nas ruas, em restaurantes e em supermercados. Alguns opositores criticam as ações por considerar que os familiares dos governantes não tem responsabilidade na crise que atravessa o país, com escassez de alimentos e remédios, e uma inflação estimada pelo FMI em 720% para 2017.

Maduro encarregou sua chanceler, Delcy Rodríguez, de liderar uma cruzada nacional e internacional contra o “ódio fascista” e voltou a acusar a oposição de promover o terrorismo como parte de um plano apoiado pelos Estados Unidos para derrubar seu governo. Já a oposição acusa Maduro de ser um ditador e de promover a violação de direitos humanos, garantindo que continuarão nas ruas.

Para esta quarta-feira, os líderes opositores convocaram uma vigília noturna com velas e lanternas com a intenção de honrar os “caídos”. Maduro disse que a manifestação noturna é própria dos movimentos fascistas que se propagaram antes da Segunda Guerra Mundial.

— Estão convocando uma marcha das tochas, algo que é símbolo na Europa e no mundo do surgimento do nazismo na Alemanha, do fascismo mussoliniano na Itália e do franquismo na Espanha.

As mortes em meio aos protestos despertaram a atenção internacional e vários países pediram para a Venezuela respeitar o direito à livre manifestação. O Conselho de Segurança das Nações Unidas anunciou que discutirá a crise na Venezuela nesta quarta-feira, atendendo a uma solicitação dos Estados Unidos.

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?