PARIS — Em sua primeira aparição pública desde os ataques na Síria, o presidente francês, Emmanuel Macron, disse neste domingo que os bombardeios não foram uma declaração de guerra contra o regime de Bashar al-Assad e ainda garantiu ter convencido o presidente americano, Donald Trump a permanecer no país. Macron, mais uma vez, insistiu na necessidade de enviar uma mensagem de que o uso de armas químicas não ficaria impune.
— O que eu quero que entendam é que temos plena legitimidade internacional para intervir neste caso — disse Macron uma entrevista na televisão local. — Foi a comunidade internacional que interveio. Não declaramos guerra ao regime de Bashar al-Assad.
Macron também ressaltou que operação foi conduzida “perfeitamente”, sem deixar vítimas, reiterando que a França e seus aliados obtiveram “provas” de que Assad utilizou cloro no ataque de 7 de abril. Os bombardeios ocidentais se concentraram em locais de pesquisas e centros militares vinculados ao programa de armas químicas do regime, perto de Damasco e no centro do país, em resposta a um suposto ataque químico na cidade de Duma que matou pelo menos 40 pessoas.
Na mesma entrevista, Macron afirmou ter desempenhado um papel determinante para convencer o presidente americano Donald Trump de não retirar suas tropas da Síria.
— Há dez dias o presidente Trump dizia que os Estados Unidos considerava deixar a Síria (...), o convencemos de que era necessário permanecer no longo prazo. O convencemos também de que se teria que limitar os bombardeios às armas químicas, em um momento em que havia furor midiático através do Twitter.
Apesar das tensões com a Rússia, Macron reafirmou a necessidade de “falar com todos”, incluindo os aliados de Assad, para alcançar uma solução política para o conflito na Síria, há sete anos em guerra.
— Para chegar a uma solução duradoura, devemos falar com Irã, Rússia e Turquia — disse o chefe de Estado.
Esta foi a primeira operação militar de maior importância ordenada por Macron, que assumiu a presidência francesa há menos de um ano. Em 2017, o presidente francês disse que o uso de armas químicas significaria para ele uma "linha vermelha", levando a uma "resposta imediata" por parte da França.

