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Lula: 'Nenhum presidente, por maior que seja, tem direito de impor regra aos outros países'

Estadão

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que "nenhum presidente, de nenhum país do mundo, por maior que seja, tem direito de impor regras a outros países". A declaração foi dada neste sábado, 18, durante discurso no Fórum Democracia Sempre, em Barcelona, na Espanha.

"Não podemos levantar todo dia de manhã e dormir todo dia à noite com tweet de presidente ameaçando o mundo, fazendo guerra", salientou Lula, em referência ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O chefe do Poder Executivo do Brasil ainda teceu críticas à atuação da Organização das Nações Unidas (ONU). "Todos eles os países tomam decisões sem consultar a ONU", disse. O presidente reforçou que discussões de multilateralismo e demais assuntos poderiam estar no foco da ONU, mas isso não acontece porque a instituição "não representa aquilo para que foi criada".

O presidente brasileiro também reiterou a preocupação com o extremismo e a falta de respeito à ONU, classificando esse cenário como algo "muito perigoso". "A ONUnão pode ficar silenciosa e ver o que está acontecendo no mundo".

"O Trump invade o Irã e aumenta o preço do feijão no Brasil, aumenta o milho no México, aumenta a gasolina em outro país. É o pobre que vai pagar a responsabilidade de guerras que ninguém quer?", questionou Lula.

Plataformas digitais

Lula também defendeu que a regulamentação das plataformas digitais é uma tema global, e não algo restrito a poucos países.

"Controlar as plataformas digitais e impor regras democráticas são uma questão mundial, não uma questão de um país ou de outro. No Brasil, estamos tentando fazer a nossa parte. A verdade nua e crua é que a mentira ganhou da verdade, esse é o dado concreto", afirmou o presidente em sua fala no Fórum Democracia Sempre, realizado em Barcelona, Espanha, neste sábado, 18.

Lula fez um discurso enfático cobrando posicionamento dos demais países sobre a inoperância da Organização das Nações Unidas (ONU) e as ameaças ao multilateralismo. O presidente brasileiro disse que a ONU "é um instrumento muito valioso se ela funcionar".

"Ela precisa funcionar para garantir que as plataformas sejam reguladas no mundo inteiro, para todo mundo. Não pode um presidente de um país interferir na eleição de outro, pedir voto para outro. Cadê a soberania eleitoral e territorial? Esse é um tema que precisamos discutir", afirmou, referindo-se ao envolvimento do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com a eleição na Hungria no último fim de semana.

O petista enfatizou aos demais participantes do fórum, em geral líderes de centro-esquerda, que "é dentro das Nações Unidas" que esse debate deve ser feito. "Deveríamos tentar colocar no documento (final do fórum) uma convocação geral para discutir o que está acontecendo no mundo hoje, com a destruição do multilateralismo. Vai prevalecer a força do senhor da guerra", afirmou.

Situação de Cuba preocupa, diz Lula

Lula citou a crise humanitária vivida em Cuba e disse que está muito preocupado com o que acontece no país do Caribe.

"Cuba tem problema, mas é um problema dos cubanos. Parem com esse maldito bloqueio a Cuba e deixem os cubanos viverem a vida deles. Não é possível que fiquemos quietos diante disso", declarou. O presidente citou, ainda, o Haiti, que também passa por graves problemas econômicos.

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, disse que o Brasil conseguiu derrotar o extremismo uma vez, mas a luta ainda não acabou.

"Temos ex-presidente preso condenado a 27 anos de cadeia e quatro generais presos porque tentaram dar um golpe. Mas o extremismo não acabou, continua vivo e vai disputar eleição outra vez", declarou, em discurso neste sábado, 18, no Fórum Democracia Sempre, em Barcelona, Espanha.

O chefe do Poder Executivo também fez acenos à discussão em torno do fim da jornada 6x1. "Estou nessa luta porque sei que individualmente não tem saída para nenhum de nós", disse.

Lula chamou atenção para o debate em torno dos ganhos tecnológicos no mercado de trabalho, em meio a um eventual fim da jornada 6x1. "Me parece que os ganhos tecnológicos só valem para os ricos, para o pobre não vale nada", salientou.

Para Lula, temas como esse são colocados à mesa para que a democracia volte a ganhar credibilidade. "A democracia está perdendo credibilidade porque muitas vezes não deu resposta aos anseios da sociedade".

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