Por Leticia Fucuchima
SÃO PAULO, 27 Mar (Reuters) - O leilão de transmissão de energia desta sexta-feira registrou o maior desconto médio ofertado desde 2020 nas licitações do tipo, em disputas que tiveram a Engie Brasil e a Cymi como as vencedoras dos maiores projetos para reforçar a rede elétrica nacional.
O certame contratou todos os cinco lotes, sendo que um deles foi dividido em quatro sublotes, com deságio médio total de 50,96% em relação à receita anual permitida (RAP) máxima calculada para os ativos. O desconto foi o mais alto desde 2020, conforme dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
A Engie conquistou o maior projeto do certame, para a instalação de compensadores síncronos em Estados do Nordeste, com R$1,38 bilhão em aportes, além de outro lote menor, com obras no Paraná e Santa Catarina, somando cerca de R$1,5 bilhão em aportes estimados.
Após o leilão, o diretor de transmissão da companhia, Gustavo Labanca, disse que a vitória representa uma diversificação de portfólio para a elétrica, que buscará dominar a tecnologia dos compensadores síncronos, equipamentos que ajudam a regular tensão e frequência e serão cada vez mais necessários para o sistema elétrico nacional.
A outra grande vencedora foi a Cymi, empresa tradicionalmente investidora no segmento de transmissão de energia que é do grupo Cobra, subsidiária da francesa Vinci.
A Cymi também ganhou dois projetos, um deles com linhas e subestações de energia em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, e outro com instalações no Pará e Mato Grosso. Ao todo, o grupo também deverá investir na casa de R$1,5 bilhão na execução dos projetos.
As duas companhias desbancaram outras grandes elétricas, como Axia Energia, que participou da concorrência por vários lotes mas não venceu; o fundo Warehouse, do BTG; a transmissora Taesa; e a portuguesa EDP.
O certame teve ainda um terceiro ganhador, o consórcio BR2ET, formado por Enind Energia e Participações, Brasiluz Eletrificação e Eletrônica, Raff Geração e Comércio de Energia, e Brenergia Participações.
As empresas que compõem o BR2ET já se sagraram vencedoras de projetos de transmissão no passado, segundo Ivo Nazareno, secretário de leilões da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
A sessão desta sexta-feira é a primeira do primeiro leilão deste ano, que foi dividido em duas datas pela Aneel.
Inicialmente, o certame iria ofertar um número maior de lotes, mas quatro deles foram retirados da competição desta semana e postergados para aguardar uma decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre sua relicitação.
Está previsto ainda um segundo certame de transmissão em 2026, no final de outubro. De acordo com Nazareno, a expectativa é de que o leilão seja "muito grande", ofertando projetos de maior porte em relação aos desta sexta-feira, com investimentos totais estimados em R$22 bilhões.
(Por Letícia Fucuchima)


