BUENOS AIRES — É dramática a situação dos magistrados do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) recentemente designados pela Assembleia Nacional (AN) da Venezuela, que hoje são alvo de feroz perseguição do governo Nicolás Maduro. Dos 33 novos membros do tribunal, cinco estão refugiados na embaixada do Chile em Caracas, dois na embaixada do Panamá, um na embaixada do México, quatro fugiram para a Colômbia e cinco para os Estados Unidos. Segundo confirmou ao GLOBO Miguel Angel Martin, um dos coordenadores do grupo, alguns dos magistrados saíram do país por terra e outros até mesmo por mar.
— Nunca imaginamos estar vivendo esta situação. Alguns colegas pagaram até US$ 10 mil para poder fugir — contou Martin, que continua escondido dentro da Venezuela.
Para chegar à Colômbia, por exemplo, os magistrados foram levados até a fronteira e devem caminhar um quilômetro sozinhos, correndo o risco de serem detidos pelas forças de segurança de seu país. Até agora, todos conseguiram entrar em território colombiano.
Martim agradeceu a ajuda dos países que estão recebendo os magistrados em suas embaixadas e também colaborando para que conseguiram escapar. O apoio da Organização de Estados Americanos (OEA), disse o magistrado, “tem sido essencial”.
— Os que já foram embora estão vendo como fazer para tirar suas famílias da Venezuela. É tudo muito complicado. Na Colômbia, estamos vendo opções de trabalho em universidades — disse Martin.
O dia a dia em Caracas, assegurou, “está virando verdadeiro pesadelo”.
— A polícia rouba celulares nas ruas e depois pede dinheiro para devolver. Não temos segurança alguma e nossas famílias também são perseguidas — lamentou o magistrado.
O que ainda não está claro é o que acontecerá com os membros do TSJ que estão abrigados em embaixadas. Alguns pediram asilo, mas Martin explicou que também está sendo buscada outra alternativa que não limite tanto as atividades dos magistrados.
— A situação desses colegas é muito difícil, porque ficar preso numa embaixada é horrível. Sabemos que o governo não permitirá a saída de nenhum deles do país — admitiu Martin.
Nas próximas horas e dias, todos os novos magistrados do TSJ venezuelano tentarão buscar um refúgio ou os recursos necessários para abandonar seu país.

