Jornalista diz ter sido assediada por âncora da CNN irmão de ex-governador de NY

Por Folha de São Paulo / Portal do Holanda

24/09/2021 13h36 — em Mundo

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A jornalista americana Shelley Ross acusou de assédio sexual o apresentador da CNN Chris Cuomo, que foi seu colega e subordinado em outra emissora duas décadas atrás. Ele é irmão do ex-governador de Nova York, Andrew Cuomo, e foi um de seus conselheiros quando o político foi envolvido em um escândalo de abusos sexuais que acabou obrigando-o a renunciar.

Em um texto publicado nesta sexta-feira (24) na seção de Opinião do jornal The New York Times, Ross afirma que Chris Cuomo a assediou em 2005 durante uma festa de despedida de um colega da rede ABC, onde ambos trabalhavam na época. "Quando o sr. Cuomo entrou no bar no Upper West Side, ele andou em minha direção, me cumprimentou com um forte abraço enquanto baixou uma mão e firmemente agarrou e apertou minha nádega", escreveu.

A jornalista tinha acabado de deixar o cargo de produtora-executiva do programa Primetime Live, do qual Cuomo era um dos âncoras, e estava em outra função na empresa.

"Posso fazer isso agora que você não é mais minha chefe", disse o apresentador, segundo o Ross, que o empurrou e respondeu: "Não, você não pode".

De acordo com o relato, Cuomo não tinha percebido inicialmente que a colega estava na festa com o marido, que presenciou a cena toda.

Ela publicou a cópia de um email enviado por ele pouco depois do episódio, intitulado "agora que penso nisso... estou envergonhado". Na mensagem, Cuomo diz que sua saudação foi um sinal de que estava feliz ao vê-la, mas que pedia desculpas ao marido dela e a ela por "colocá-la nessa posição".

Ele também cita o caso de Christian Slater, que tinha sido preso por um ato similar, dizendo que diferentemente do ator não teve "intenção negativa" em relação a Ross.

"Minha pergunta hoje é a mesma daquela época: ele estava de fato envergonhado do que fez ou constrangido porque meu marido viu?", questiona Ross no artigo.

A jornalista conta dois episódios ocorridos no mês passado, após vir à tona a investigação de abusos sexuais contra o então governador de Nova York, que ela considera provocações de Chris Cuomo.

No primeiro deles, o apresentador disse aos telespectadores de seu programa na CNN que ele não entrevistaria mais seu irmão, como fez frequentemente em outros momentos, e completou: "Eu sempre me preocupei muito profundamente a respeito dessas questões. Só queria dizer isso a vocês".

No segundo episódio, no último dia 6, Chris Cuomo apareceu em público com uma camiseta com a palavra "Verdade", um mês após o escândalo envolvendo o ex-governador.

Ross afirma que enquanto outras pessoas próximas a Andrew Cuomo perderam seus empregos ou enfrentaram consequências de terem permitido ou facilitado os abusos cometidos por ele, seu irmão e a CNN parecem ter superado o episódio.

Em maio, quando o âncora se desculpou por ter feito parte de discussões sobre estratégias do governador para enfrentar a crise enquanto era investigado, a emissora disse que essas conversas tinham sido "inapropriadas".

Ross diz que não quer que ele perca o emprego, mas que use sua influência para abordar a temática do assédio sexual e lutar por mudanças.

Questionado sobre a acusação, Chris Cuomo respondeu ao New York Times nesta quinta-feira (23) que a interação entre ele e Ross "não foi de natureza sexual" e aconteceu 16 anos atrás em um lugar público. "Eu pedi desculpas a ela na época, e eu fui sincero", completou.


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