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Janela de importação de etanol pelo Brasil, que beneficia os EUA, deve ser reaberta

Reuters
Janela de importação de etanol pelo Brasil, que beneficia os EUA, deve ser reaberta
Janela de importação de etanol pelo Brasil, que beneficia os EUA, deve ser reaberta

NOVA YORK/SÃO PAULO, 22 Out (Reuters) - A janela de importação de etanol do Brasil, utilizada principalmente por exportadores de combustível dos Estados Unidos, deve ser reaberta entre dezembro e janeiro, apesar de uma produção recorde esperada para o país em 2026/27, afirmaram a corretora StoneX e a consultoria Argus.

A corretora espera que a janela seja aberta para chegadas ao porto de Suape, prevendo que o primeiro trimestre de 2027 seja semelhante ao mesmo período de 2026, quando o etanol anidro chegou por Pernambuco.

"A nova previsão surpreende, em uma safra com expectativas de produção recorde de etanol", disse Maria Lígia Barros, responsável por precificação de etanol da Argus, à Reuters.

Segundo ela, a possibilidade de importação é ancorada pela visão de um balanço mais apertado de oferta e demanda até o fim da safra, devido a chuvas trazidas pelo El Niño, que prejudicaram a moagem de cana no centro-sul, além de benefícios governamentais concedidos ao etanol hidratado.

Interrupções sucessivas na moagem penalizam mais o anidro que o hidratado, pois sua produção exige etapas adicionais, explicou a Argus, citando ainda que o hidratado está desonerado do PIS/Cofins até 9 de novembro.

De acordo com a Argus, o Brasil pode importar entre 150 milhões e 200 milhões de litros de etanol entre outubro de 2026 e março de 2027.

Mas a maior parte dos desembarques deve ficar concentrada entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027. No mesmo período anterior, o Brasil importou 228,3 milhões de litros, segundo dados compilados pela Argus.        

A janela de importação do Brasil se abre quando o custo de importação do etanol dos EUA -- incluindo frete, taxa de câmbio, a tarifa de 18% e custos portuários -- fica abaixo do preço do etanol anidro nacional no Nordeste do Brasil.

As importações tinham aumentado no Brasil no início do ano, levando a balança comercial do setor a um saldo negativo de janeiro a março, já que o etanol dos EUA chegou ao Nordeste a um preço mais baixo do que o etanol anidro nacional, apesar da tarifa de importação de 18%, lembrou a StoneX.

A balança comercial de etanol do Brasil voltou a ficar positiva a partir de abril, indicou a StoneX. As exportações brasileiras de etanol, no entanto, caíram 17% no acumulado do ano, para 1,03 bilhão de litros, pressionadas por uma queda de 34,1% na demanda por etanol industrial, enquanto os embarques de etanol combustível aumentaram 31,7%, pontuou a corretora.

A previsão pressupõe frete estável, aumento dos preços do etanol nacional e etanol norte-americano mais barato, o que reduziria a diferença de preço durante a entressafra da cana-de-açúcar brasileira, de dezembro a março.

(Reportagem de Marcelo Teixeira e Roberto Samora)

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