TEL AVIV — Após anos de controvérsias políticas, autoridades israelenses começaram nesta quarta-feira a esvaziar um assentamento emblemático da Cisjordânia ocupada. Os cerca de 300 colonos judeus de Amona, perto de Ramallah, estão sendo retirados por centenas de policiais de guarda, aparentemente desarmados. No entanto, o governo de Israel aprovou, apenas algumas horas antes, outros milhares de assentamentos nos territórios palestinos ocupados.
As forças de segurança tomaram o controle das primeiras casas sem encontrar resistência, com exceção de alguns jovens que lançaram pedras. Acredita-se que os manifestantes, que reivindicavam que as terras fossem consideradas de propriedade israelense, sejam procedentes das colônias vizinhas.
No entanto, a expectativa era de que houvesse forte oposição ao desmantelamento de Amona, uma vez que centenas de jovens haviam se reunido nos arredores durante a madrugada para protestar contra a operação do governo. Além disso, nas últimas semanas, dezenas de pessoas se instalaram no local, com a intenção de resistir pacificamente à retirada.
O destino de Amona há muito tempo ameaça desestabilizar a coalizão do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. A aliança inclui o partido de extrema-direita pró-assentamentos e outras legendas que se opõem à demolição da colônia.
Os colonos começaram a se instalar ilegalmente em Amona no fim dos anos 1990. O Tribunal Supremo israelense ordenou seu esvaziamento até a primeira semana de fevereiro, considerando que a colônia havia sido construída em terras privadas palestinas.
Antes do início da operação de esvaziamento, o governo israelense anunciou 3 mil novas casas nos assentamentos da Cisjordânia ocupada. Desde a posse do novo presidente dos EUA, Donald Trump, Israel vem dando sinais de que expandirá a colonização — uma vez que a posição do republicano é bem menos crítica aos assentamentos do que a postura adotada pelo seu antecessor, Barack Obama.

