Por Ali Sawafta
QUSRA, Cisjordânia, 13 Ago (Reuters) - Tropas israelenses ocuparam posições nesta quinta-feira dentro de residências palestinas na aldeia de Qusra, na Cisjordânia ocupada, informou o prefeito, após colonos israelenses fazerem um cerco a famílias palestinas nesta semana que, segundo os palestinos, tem como objetivo forçá-los a abandonar suas terras.
O cerco começou no fim de semana, quando colonos israelenses bloquearam a estrada que leva a três casas na aldeia palestina de Qusra e montaram uma barraca nos jardins da frente, recusando-se a permitir a entrada e a saída de qualquer pessoa. Os colonos já haviam cortado o fornecimento de eletricidade e água.
Na noite desta quinta-feira, tropas israelenses ainda mantinham posições em três casas de Qusra, segundo o prefeito, Abed Al Athem Wadi, e os moradores: uma nos arredores da vila, entre as três que estão sitiadas pelos colonos; e duas mais próximas do centro da vila.
Fotos da Reuters mostram soldados israelenses em frente a uma das casas. Os soldados informaram às famílias que as operações em Qusra podem se estender até domingo, disseram moradores da vila.
Em um comunicado, as Forças Armadas afirmaram que soldados estavam posicionados em Qusra desde a manhã desta quinta-feira para proteger os moradores e manter a segurança, e “receberam instruções de que os moradores de Qusra devem permanecer em suas casas”.
Loui Ridi, um palestino-americano que mora em Ohio e cujo irmão está cercado em sua casa, disse se sentir impotente. “É aterrorizante, é frustração, é medo pela vida da minha família”, disse ele à Reuters em uma entrevista por telefone.
Ridi disse que vinha acompanhando os acontecimentos pela câmera de segurança instalada em uma das casas em Qusra, mas ela foi removida pelos soldados nesta quinta. Ele planejava viajar para lá em breve, afirmou.
As Nações Unidas afirmaram em um comunicado que cerca de 15 palestinos, incluindo duas crianças, estavam presos dentro de suas casas, sem água nem eletricidade.
GOVERNO E ASSENTAMENTOS
As Forças Armadas têm sofrido pressão crescente para impedir as apropriações ilegais de terras por colonos encorajados pelo governo de direita do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que tem liderado uma rápida expansão dos assentamentos na Cisjordânia.
Na manhã desta quinta-feira, um dia após as tropas terem utilizado gás lacrimogêneo em uma tentativa frustrada de remover os colonos, as Forças Armadas informaram ter enviado mais soldados para a região “para realizar missões defensivas e patrulhas na área, a fim de manter a segurança e proteger a região”.
Um vídeo divulgado no início da semana mostrava homens israelenses em uniformes militares verdes participando da oração matinal com os colonos dentro da barraca. As Forças Armadas afirmaram que estavam tomando medidas disciplinares contra qualquer membro envolvido.
As duas famílias sitiadas na área afirmam que estão ficando sem suprimentos e que os colonos têm danificado suas propriedades, jogando pedras em suas casas e gritando insultos contra elas.
O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, disse que as Forças Armadas e a polícia israelenses “foram, a nosso pedido, para remover os terroristas israelenses responsáveis por isso”, acrescentando: “As ações daqueles que estão fazendo isso com a casa dessa família são criminosas”.
Ridi recebeu com satisfação as declarações de Huckabee, mas disse que elas não são suficientes. “Precisamos de proteção. Precisamos de suprimentos. Precisamos viver livremente em nossa casa.”
Os palestinos afirmam que as autoridades israelenses permitem que os colonos tomem terras e recursos em toda a Cisjordânia com impunidade, inclusive em áreas onde possuem documentos de propriedade emitidos por Israel.
Incidentes de apropriação de terras por colonos são especialmente comuns em áreas nos arredores de aldeias, como Qusra, em uma região sob controle total de segurança israelense.
Território capturado por Israel na Guerra do Oriente Médio de 1967, a Cisjordânia abriga cerca de três milhões de palestinos e 500 mil colonos. Existem cerca de 146 assentamentos na Cisjordânia, além de 390 postos avançados menores, de acordo com o grupo israelense de monitoramento de assentamentos Peace Now.
(Reportagem de Ali Sawafta e Ismael Khader, em Qusra; e de Pesha Magid e Mustafa Abu Ganeyeh, em Jerusalém)



Aviso