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Irã promete resposta firme se EUA saírem de acordo nuclear

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NOVA YORK - As fortes críticas do presidente americano, Donald Trump, em seu discurso na abertura da 72ª Assembleia Geral das Nações Unidas, ao regime de Teerã e ao acordo firmado entre o país e potências internacionais a respeito do programa nuclear iraniano, não ficaram sem resposta. Ontem, o presidente do Irã, Hassan Rouhani, não hesitou em afirmar que seu país responderá de maneira “decisiva e determinada” caso os EUA abandonem o pacto firmado em 2015 no governo de Barack Obama.

— A ignorante, absurda e odiosa retórica, repleta de acusações infundadas, proferida aqui pelo presidente americano, não apenas não é digna de ser ouvida nas Nações Unidas, mas também contradiz os pedidos de nossas nações de que governos unam forças para combater a guerra e o terrorismo — afirmou Rouhani, classificando a negociação e o acordo firmados como “um possível novo modelo para as interações globais”. — Será uma enorme lástima se esse acordo for destruído por novatos descontrolados, recém-chegados ao mundo da política, e o mundo perderá uma grande oportunidade. O Irã não produzirá armas nucleares, mas responderá firmemente a qualquer violação, de quem quer que seja.

Trump, que durante a campanha presidencial, referiu-se diversas vezes ao acordo como “o pior já realizado na História”, voltou a criticar a negociação, descrevendo-a como “um embaraço para os EUA” e insinuando que poderia abandonar o pacto. Ontem, perguntado sobre o futuro da participação americana, respondeu misteriosamente a repórteres:

— Eu já decidi. Vocês saberão.

A ideia de que os EUA, principal força por trás do acordo nuclear, possam abandonar seu compromisso não foi bem recebida por líderes europeus. União Europeia (UE), além de países como Reino Unido, França, Alemanha, Rússia e China, signatários do acordo, confirmaram que o governo iraniano tem mantido o compromisso de reduzir seu programa nuclear, e líderes internacionais reforçaram apelos para que Trump mantenha os EUA no acordo. O presidente francês, Emmanuel Macron, classificou o pacto como “essencial para a paz num momento em que o risco de conflitos internos não pode ser esquecido”. Ele disse também que abandonar o acordo seria “irresponsável”.

A indignação de Rouhani foi compartilhada pelo chanceler iraniano, Mohammed Javad Zarif — principal figura na negociação do acordo, ao lado do ex-secretário de Estado americano, John Kerry.

“O discurso de ódio de Trump tem lugar na Idade Média, não na ONU do século XXI”, afirmou o chanceler no Twitter.

No início da noite, Zarif se reuniu pela primeira vez com o atual secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson. O encontro, a portas fechadas, foi promovido pela UE, e teve como tema o programa nuclear.

Se os signatários se mostraram preocupados com os rumos do acordo, Israel, um forte crítico das negociações com Teerã, e a Arábia Saudita, rival política do Irã no Oriente Médio, demonstraram apoio à crítica de Trump. Um dia depois do premier israelense, Benjamin Netanyahu, pedir o cancelamento do acordo, o chanceler saudita, Adel al-Jubeir, afirmou que o reino do Golfo não acredita que o Irã respeite os termos da negociação.

— Esperamos que a comunidade internacional faça o necessário para garantir que o Irã está agindo conforme o combinado — afirmou al-Jubeir.

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