A Guarda Revolucionária do Irã anunciou nesta quinta-feira (14) que cerca de 30 embarcações cruzaram o Estreito de Ormuz desde a noite anterior, com autorização oficial de Teerã. O comunicado, divulgado pela mídia estatal, ocorre em meio a negociações diplomáticas e à retomada do trânsito de navios chineses pela rota estratégica.
Segundo o governo iraniano, a liberação foi resultado de entendimentos com a China, principal compradora de petróleo do país. A medida coincide com a visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Pequim, onde foram discutidas formas de manter o estreito aberto e conter o avanço nuclear iraniano.
O Estreito de Ormuz é considerado uma das rotas marítimas mais importantes do mundo, responsável pelo fluxo de aproximadamente 20% do petróleo e gás consumidos globalmente. Desde fevereiro, a região tem sido marcada por bloqueios, ataques a embarcações e confrontos entre forças iranianas e norte-americanas. Recentemente, Teerã divulgou um mapa com “linhas vermelhas” delimitando áreas sob seu controle e advertiu que qualquer travessia sem coordenação seria alvo de represálias.
Nos últimos dias, incidentes envolvendo navios da Índia, Coreia do Sul e Emirados Árabes Unidos aumentaram a tensão. A agência britânica de segurança marítima UKMTO chegou a relatar que indivíduos não autorizados assumiram o controle de uma embarcação em Fujairah, conduzindo-a em direção ao Irã.
Para analistas, o anúncio da passagem de 30 embarcações representa um gesto político de Teerã: ao mesmo tempo em que demonstra flexibilidade diante da pressão internacional, reforça sua autoridade sobre a rota estratégica.




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