Por Ahmed Elimam e Jana Choukeir
DUBAI, 5 Jun (Reuters) - O Irã reafirmou apoio ao seu aliado libanês Hezbollah e pediu que Israel se retire do sul do Líbano, ressaltando as complicações enfrentadas por um acordo provisório para pôr fim ao conflito mais amplo entre EUA e Irã.
O Irã fez de um cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah uma condição para qualquer acordo de paz com Washington para resolver a guerra regional, agora em seu quarto mês, e retomar a navegação pelo Estreito de Ormuz.
A mais recente rodada de combates entre Hezbollah e Israel eclodiu no início de março, dois dias depois que EUA e Israel lançaram ataques contra o Irã. O Hezbollah disse que suas ações eram em apoio a Teerã.
"Essa guerra só terminará quando terminar também no Líbano", disse o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, à emissora de TV libanesa Al Mayadeen, na noite de quinta-feira.
"O fim da guerra no Líbano precisa ser acompanhado pela retirada das forças israelenses dos territórios que ocuparam", declarou ele.
Os comentários foram feitos depois que o líder do Hezbollah, Naim Qassem, rejeitou um pacto intermediado pelos EUA entre Israel e o governo libanês para interromper os combates no Líbano. O acordo não previa a retirada israelense e o Hezbollah não participou das negociações.
Israel manteve os ataques no sul do Líbano e afirmou que suas forças não se retirarão nem interromperão as operações no país, em meio ao crescente atrito com os Estados Unidos.
O Hezbollah declarou na sexta-feira ter realizado dois ataques contra tropas israelenses no sul do Líbano, inclusive perto do Castelo de Beaufort, recentemente capturado, enquanto os serviços de segurança libaneses afirmaram que ataques aéreos israelenses atingiram cidades em todo o sul do Líbano.
COMBATES SE INTENSIFICAM APESAR DE CESSAR-FOGOS
Mohsen Rezaei, conselheiro do líder supremo do Irã, disse que o Hezbollah "fez grandes sacrifícios na guerra recente e é nosso aliado. Portanto, apoiamos o Hezbollah e continuamos firmemente comprometidos com nossas obrigações para com ele".
Em comentários relatados pela agência de notícias semi-oficial Mehr, ele advertiu Israel contra o cumprimento das ameaças de retomar os ataques contra a capital libanesa, Beirute.
"Hoje alertamos novamente esse regime sinistro para que deixe o Líbano. Eles devem saber que o Líbano será uma parte inseparável de qualquer acordo e de qualquer cessar-fogo."
O presidente do parlamento libanês e aliado do Hezbollah, Nabih Berri, afirmou na sexta-feira que concordaria com a retirada do grupo apoiado pelo Irã do sul do Líbano se as tropas israelenses deixassem simultaneamente o território que ocupam no país.
Em Washington, o presidente Donald Trump disse aos repórteres que acredita estar havendo progresso no Líbano e que o país merece ter paz, acrescentando: "Isso vem acontecendo há muito tempo, vocês sabem."
Juntamente com o Líbano, os residentes de Gaza, do norte de Israel e do Kuweit estiveram sob fogo nesta semana, apesar dos cessar-fogos organizados pelos EUA que, segundo Trump, envolveram "disparos de maneira mais moderada", em vez de uma interrupção total dos combates.
Nesta sexta-feira, a Marinha iraniana afirmou ter disparado tiros de advertência contra destróieres dos EUA no Golfo de Omã para conter "ataques e assédio marítimos, bem como o sequestro de navios mercantes e petroleiros". Anteriormente, as forças norte-americanas haviam informado que abordaram um petroleiro no Oceano Índico e que continuariam a bloquear "embarcações que fornecem apoio material ao Irã".
Em Omã, um suposto ataque com drones forçou a suspensão do carregamento de petróleo no terminal de Mina al Fahal após uma explosão, segundo fontes, antes que as operações normais fossem retomadas.



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