Por Roberto Samora
SÃO PAULO, 27 Mar (Reuters) - A Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) afirmou nesta sexta-feira que o agravamento de condições econômicas do setor, diante de altas de preços do petróleo, do diesel e dos fretes interno e externo, aumentou os riscos de repasse de custos para farinha, matéria-prima essencial de pães, massas e biscoitos.
Segundo a Abitrigo, as consequências da guerra dos EUA e Israel contra o Irã pressionam os custos da indústria moageira e criam "um ambiente de forte risco para toda a cadeia do trigo, com potencial de impactos relevantes sobre o preço da farinha e da cadeia produtiva".
"Esse quadro negativo se soma a fatores internos que agravam o ambiente de negócios", disse a associação, citando a criação de alíquotas de PIS/Cofins incidentes sobre o trigo importado, além de redução de benefícios fiscais que elevam a carga tributária de itens essenciais, como a farinha de trigo.
"Essa mudança tributária restringe ainda mais a capacidade da indústria de amortecer os impactos e aumenta o risco de que parte desses reajustes acabe sendo repassado à cadeia e ao consumidor", afirmou a Abitrigo, enfatizando que "as empresas do setor têm atuado de forma responsável para mitigar efeitos mais severos sobre o consumidor brasileiro".
"Nosso compromisso é garantir a estabilidade do abastecimento de farinha de trigo, produto essencial na mesa dos brasileiros, mesmo em um ambiente de forte instabilidade global", disse o presidente-executivo da Abitrigo, Rubens Barbosa, em nota.
Com relação ao preço do trigo no mercado interno, há uma alta de cerca de 8% no último mês, para R$1.272/tonelada, segundo dados do centro de estudos Cepea. Mas a cotação está abaixo dos mais de R$1.500/tonelada registrados no mesmo período do ano passado.
O comunicado da Abitrigo foi feito, ainda, diante de um cenário de menor plantio de trigo no Brasil em 2026, com produtores desestimulados após problemas climáticos e de remuneração.
Na véspera, o Departamento de Economia Rural (Deral), do governo do Paraná, indicou que o Estado - importante produtor nacional - plantará sua menor área em mais de 25 anos em 2026.


