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Indignação cresce diante de resposta desigual do governo após terremotos na Venezuela

Reuters
Indignação cresce diante de resposta desigual do governo após terremotos na Venezuela
Indignação cresce diante de resposta desigual do governo após terremotos na Venezuela

Por Mayela Armas e Vivian Sequera

EL JUNQUITO, Venezuela, 29 Jun (Reuters) - A frustração está aumentando em toda a Venezuela devido à falta de ajuda e de uma resposta coordenada do governo nas áreas atingidas pelos dois terremotos letais da semana passada, afirmaram nesta segunda-feira moradores de algumas cidades fortemente afetadas.

Em El Junquito, uma pequena região montanhosa a cerca de 33 km a oeste de Caracas, onde os venezuelanos costumam passar os fins de semana, os moradores afirmam ter visto poucos funcionários públicos, enquanto agricultores e outros moradores têm fornecido suprimentos básicos à comunidade.

“Estamos esperando por respostas, pela remoção dos escombros, por inspeções e para que as pessoas que foram realmente afetadas recebam ajuda”, disse Keily Ibarra, uma manicure de 33 anos que lidera as reclamações dos cidadãos junto às autoridades. Ela pediu ao governo que faça “o que precisa ser feito”.

O centro comercial de El Junquito foi amplamente destruído pelos terremotos, com prédios desabados visíveis durante uma visita da Reuters. Vários moradores, sem ter para onde ir, montaram barracas em um campo aberto, apesar do risco representado pelos prédios danificados e desabados nas proximidades.

“Não sabemos onde vamos ficar nem por quanto tempo ficaremos aqui”, disse Tony Abreu, dono de uma loja de doces que está vivendo em uma barraca desde os terremotos, pois sua casa e seu negócio não são seguros.

NÚMERO DE MORTOS AUMENTA

Em outro local, um hotel próximo ao Aeroporto de Maiquetia, onde mais de 140 pessoas deportadas dos Estados Unidos --incluindo sete crianças -- estavam hospedadas enquanto eram processadas pelas autoridades venezuelanas, desabou durante os terremotos, segundo duas famílias de deportados. Acredita-se que a maioria tenha morrido.

A “Grande Missão Retorno à Pátria” do governo, que gerencia o processo dos deportados, havia compartilhado vídeos online das chegadas, incluindo as crianças recebendo brinquedos, na quarta-feira.

Embora vários grupos internacionais de ajuda e resgate tenham se mobilizado para a Venezuela, a maior parte da ajuda tem se concentrado em La Guaira, o Estado mais atingido de um país há muito atolado em uma profunda crise política e econômica.

A comunidade internacional se mobilizou para ajudar a Venezuela a lidar com o desastre. As autoridades afirmaram que o país sul-americano recebeu apoio de 30 nações, incluindo 1.000 toneladas métricas de suprimentos, mais de 3.600 profissionais de resgate e apoio, bem como 118 cães de busca e resgate.

O número de mortos continuou a aumentar. Jorge Rodríguez, irmão da presidente interina do país, Delcy Rodríguez, e presidente da Assembleia Nacional, estimou nesta segunda-feira o número de mortos confirmados em 1.719, com 5.034 feridos e 15.866 desabrigados.

Cortes de energia na segunda-feira impediram que uma refinaria, um complexo petroquímico e outras instalações industriais na região central do país retomassem suas operações, segundo fontes do setor.

Apesar desses problemas, a petrolífera estatal PDVSA não previa escassez de combustível no mercado interno, já que a produção das refinarias nas regiões leste e oeste do país é capaz de atender à demanda, mesmo após o aumento do consumo pelas equipes de resgate, afirmaram as fontes.

A produção e as exportações de petróleo permaneceram normais, disseram as fontes.

BUSCA POR SOBREVIVENTES EM MEIO A RÉPLICAS

As casas dos moradores de Caracas foram sacudidas por um tremor secundário na madrugada desta segunda-feira, enquanto as equipes de resgate continuavam a busca ininterruptamente pelo quinto dia consecutivo.

O tremor secundário de magnitude 4,6 atingiu o norte de Caracas na madrugada desta segunda-feira, a uma profundidade de 10 km, segundo o Serviço Geológico dos EUA, mas Rodríguez disse que nenhum dano foi relatado imediatamente.

Foi o mais recente de centenas de réplicas desde a última quarta-feira que têm abalado as equipes nacionais e internacionais que conduzem os esforços de resgate, cada resgate acendendo uma esperança à medida que a janela de oportunidade para encontrar sobreviventes se esgota.

Entre os aparentes milagres está o resgate de Aaron Levi, de 21 anos, de um prédio desabado no Estado de La Guaira, atingido pelo desastre. Ele foi retirado após 106 horas preso sob os escombros, por meio de uma operação de resgate que durou 43 horas, segundo a presidente interina.

Após anunciar o número atualizado de mortos, o presidente da Assembleia disse que 15 abrigos foram instalados em La Guaira, bem como 50 acampamentos provisórios para ajudar as pessoas afetadas pelos terremotos.

Ele elogiou os venezuelanos por sua calma e força, atribuindo qualquer raiva contra o governo à desinformação.

“Não deem atenção a boatos, não se deixem levar por estratégias de manipulação nas redes sociais ou pela manipulação da mídia, que buscam nada além de aumentar a agitação e a ansiedade”, disse Rodríguez.

“A informação oficial é a única que realmente tem a verdade para compartilhar com vocês.”

(Reportagem de Vivian Sequera, Mayela Armas e Marianna Parraga; reportagem adicional de Aida Pelaez-Fernandez e Simon Lewis)

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