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Harvey: maior tempestade em 12 anos nos EUA leva milhares a fugirem

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Harvey: maior tempestade em 12 anos nos EUA leva milhares a fugirem
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CORPUS CHRISTI, EUA - Dezenas de milhares de habitantes da costa do Golfo do México, no Texas, se viram ontem obrigadas a deixar as suas casas para escapar do furacão Harvey, que ganhava força à medida que se aproximava do continente — aonde deveria chegar entre a noite de ontem e a madrugada de hoje com ventos de 215km/h. A tempestade já atingia a categoria 4 numa escala de cinco níveis, ameaçando o estado do Texas com inundações catastróficas e sem precedentes em tempos modernos. Se as previsões forem confirmadas, este poderá ser o furacão mais potente a tocar o solo americano em 12 anos, desde o histórico furacão Katrina, que atingiu a Louisiana em 2005.

Autoridades já alertaram que este deverá ser um fenômeno longo, em que áreas do Sul poderão ficar inabitáveis por várias semanas ou meses, o que eleva significativamente o perigo à população e aos meios de produção locais. São esperadas marés de até quatro metros de altura. O governo emitiu alerta de furacão em áreas habitadas por 1,5 milhão de pessoas, que foram exortadas a fugir do avanço de Harvey.

Ontem, o governador do Texas, Greg Abbott, emitiu alertas de desastre para 30 condados, como medida preventiva para implementar rapidamente recursos a fim de responder à emergência, enquanto escolas foram fechadas e voos, cancelados. Ele pediu que as pessoas priorizassem suas vidas e pensassem em segundo lugar nas suas propriedades. Além disso, solicitou mais ajuda federal e uma declaração de desastre natural pelo presidente Donald Trump. A medida estava sendo avaliada pela Casa Branca, segundo a imprensa local.

— Minha mensagem urgente para meus conterrâneos texanos é que se você vive numa região onde a retirada foi ordenada, precisa prestar atenção neste conselho e sair do caminho do perigo enquanto pode — disse Abbott em discurso televisionado.

Pelo Twitter, o presidente Trump disse que havia conversado com os governadores de Louisiana e Texas, enquanto monitorava de perto os desdobramentos do furacão. Com viagem prevista para o Texas na semana que vem, prometeu oferecer a ajuda necessária e pediu que os moradores desses estados obedecessem às ordens das autoridades. Este é o primeiro desastre natural que o republicano enfrenta desde que assumiu a Presidência.

Um dos primeiros locais a sentirem os efeitos de grande magnitude do Harvey deveria ser Corpus Christi, no Texas, onde havia ordens de retirada voluntária. A cidade concentra a maioria das refinarias de petróleo do estado, numa região considerada o coração do setor energético americano. A costa do Golfo texana é responsável por cerca de metade da capacidade de refino do país e tem uma grande rede de oleodutos, que transportam petróleo e gás ao resto do território nacional. Além disso, os portos de Houston — o mais movimentado do país no setor petroquímico — de Galveston e de Corpus Christi foram fechados. Com isso, atividades comerciais foram afetadas e três navios de cruzeiro, com 20 mil passageiros, tiveram de mudar sua rota. A agência Bloomberg estimou que o furacão pode causar perdas econômicas de US$ 1,9 bilhão, além de US$ 1,3 bilhão em seguros que serão pagos, que incluem danos físicos e interrupções de negócios.

Em várias pequenas cidades do Sul do Texas, como Port Aransas e Aransas Pass, os moradores foram obrigados a deixar suas casas para trás. Em outras, como Corpus Christi, a prefeitura não permitiu que a polícia e os bombeiros forçassem a população a se retirar, embora tenha insistido na necessidade urgente de saída. Em Victoria, o prefeito Paul Polasek disse à CNN que estimava que 60% dos 65 mil moradores da cidade desafiaram as ordens de retirada.

O êxodo em massa deixou as estradas congestionadas e rapidamente fez subir o preço da gasolina, que começava a faltar nos postos da região. Enquanto isso, muitos cobriam janelas e estocavam alimentos para a tempestade, que poderá durar vários dias. As autoridades já alertaram que muitas casas ficarão sem eletricidade. Ontem, já havia registros de fortes chuvas e das primeiras inundações na costa.

— O Texas está a ponto de sofrer um desastre muito grande — disse Brock Long, diretor da agência federal de gestão de emergências, Fema, à CNN. — A janela de retirada está se fechando rapidamente. Se alguém se recusar a prestar atenção ao aviso, estará por conta própria.

Um dos americanos que obedeceram às autoridades foi Corey Martinez, de 40 anos. Ele pegou a estrada ontem para deixar sua casa em Corpus Christi em direção a Dallas, no interior.

— Tem sido muito estressante — contou num posto de gasolina. — Estamos apenas tentando nos adiantar à tempestade. Nunca passamos por um furacão antes.

Morador também de Corpus Christi, David Ramirez deixou sua casa sem saber como a encontrará quando retornar. Ele não quis se arriscar e viajou a San Antonio:

— Com o nível de chuva que estão anunciando, não há muito que eu possa fazer para proteger a minha casa — afirmou, esperando instruções para dirigir-se a um abrigo de emergência.

Os EUA não viam especialistas usarem um tom de alerta tão incisivo desde o furacão Katrina, que deixou mais de 1,8 mil pessoas mortas em 2005. A cidade de Nova Orleans, na Louisiana, foi a mais brutalmente afetada pela catástrofe e, agora, também se preocupa com a possibilidade de fortes chuvas, uma vez que seu sistema de drenagem não aguentou as chuvas à época e, até hoje, os danos não foram totalmente consertados. A maior catástrofe natural da História do EUA provocou danos, no total, de US$ 108 bilhões. No estado, 40% das mortes aconteceram em decorrência de afogamentos, e 25% por ferimentos ou traumas.

À época, o então presidente dos EUA, George W. Bush, foi fortemente criticado pela demora no socorro federal ao desastre. Quinze anos depois, a reação de Trump está sob os holofotes do país:

“Fique em cima do furacão Harvey. Não cometa o mesmo erro de Bush com o Katrina”, alertou, pelo Twitter, o senador republicano Charles Grassley, de Iowa, a Trump.

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