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Groenlândia deve manter conversas com EUA sem Dinamarca, diz líder da oposição

Groenlândia deve manter conversas com EUA sem Dinamarca, diz líder da oposição
Groenlândia deve manter conversas com EUA sem Dinamarca, diz líder da oposição

Por Tom Little e Stine Jacobsen

COPENHAGUE, 8 Jan (Reuters) - A Groenlândia deve manter conversações diretas com o governo dos Estados Unidos sem a Dinamarca, disse um líder da oposição da Groenlândia à Reuters, enquanto a ilha do Ártico pondera como responder à pressão renovada do presidente norte-americano, Donald Trump, para colocá-la sob o controle dos EUA.

Trump recentemente intensificou as ameaças de assumir o controle da Groenlândia, revivendo uma ideia que ele lançou em 2019 durante seu primeiro mandato.

A Groenlândia está estrategicamente localizada entre a Europa e a América do Norte, o que a torna um local essencial para o sistema de defesa contra mísseis balísticos dos EUA. Seus ricos recursos minerais também se encaixam na meta de Washington de reduzir a dependência da China.

A ilha é um território autônomo do Reino da Dinamarca. Ela tem seu próprio Parlamento e governo, mas Copenhague mantém a autoridade sobre as relações exteriores e a defesa.

"Incentivamos nosso atual governo (da Groenlândia) a manter um diálogo com o governo dos EUA sem a Dinamarca", disse Pele Broberg, líder do Naleraq, o maior partido de oposição e a voz política mais proeminente pela independência da Groenlândia.

"Porque a Dinamarca está antagonizando tanto a Groenlândia quanto os EUA com sua mediação."

O Naleraq, que defende veementemente uma rápida mudança para a independência total, dobrou suas cadeiras para oito nas eleições parlamentares do ano passado, conquistando 25% dos votos na ilha de apenas 57.000 habitantes.

Embora excluído da coalizão governista, o partido afirmou que deseja um acordo de defesa com Washington e poderia buscar um acordo de "associação livre" -- segundo o qual a Groenlândia receberia apoio e proteção dos EUA em troca de direitos militares, sem se tornar um território norte-americano.

Todos os partidos da Groenlândia querem a independência, mas divergem sobre como e quando alcançá-la.

A ministra das Relações Exteriores da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, disse que a Groenlândia não poderia conduzir conversações diretas com os EUA sem a Dinamarca porque não tem permissão legal para isso.

"Devemos respeitar a lei e temos regras sobre como resolver questões no Reino", disse ela ao jornal Sermitsiaq na noite de quarta-feira.

Os governos da Dinamarca e da Groenlândia não responderam imediatamente aos pedidos de comentários sobre as falas de Broberg.

(Reportagem de Tom Little e Stine Jacobsen, Soren Jeppesen e Jacob Gronholt-Pedersen; Andrew Gray e Lili Bayer, em Bruxelas; Louise Breusch Rasmussen, em Paris)

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