BUENOS AIRES — A última sentença do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Venezuela foi considerada um “um golpe de Estado” por deputados da Mesa de Unidade Democrática (MUD), que estão em reuniões permanentes em Caracas para traçar uma estratégia de reação ao que consideram a mais grave ação do governo do presidente Nicolás Maduro contra a democracia do país.
Em entrevista ao GLOBO, o deputado José Guerra afirmou que o principal objetivo do governo “é anular a oposição e impedir a realização de eleições”. Este ano, está prevista a eleição de governadores, mas até agora o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) não informou a data.
É um golpe de Estado, claramente. Em lugar de usar as Forças Armadas, usaram o TSJ com sentenças que vão contra a Constituição. Na sentença anterior (há dois dias), o TSJ deu poderes ao governo para legislar em matéria penal, disse que os deputados podem ser julgados por tribunais militares, concedeu faculdades ao presidente para assinar contratos em matéria de hidrocarbonetos, enfim, Maduro já poderia ser chamado de Zar Nicolás I porque tem poderes de imperador.
Era previsível.
Não, ainda não. Os partidos estão se reorganizando, o governo não convoca as eleições que deveria convocar, tudo isso desmotiva a população. Mas hoje vamos definir nossas linhas de ação.
Ações internacionais, denunciar este golpe. Também organizar manifestações em nosso país, precisamos do apoio de todos os setores para repudiar o que está acontecendo.
Pode acontecer, hoje estamos absolutamente indefesos.
No último debate deram uma oportunidade a Maduro e ele respondeu com mais repressão. Deveriam retomar o assunto semana que vem e avançar nessa discussão.
Seu principal objetivo é anular as eleições, qualquer eleição, porque sabem que vão perder.

