A Noruega se despediu do rei Harald V nesta quarta-feira, 9. Milhares de pessoas ocuparam as ruas de Oslo para acompanhar a passagem do caixão do monarca, cujo funeral contou com a presença de integrantes da realeza e líderes europeus e de outras partes do mundo.
Uma sequência de 21 tiros ecoou pela capital norueguesa no início do cortejo fúnebre do Palácio Real até a Catedral de Oslo. O filho de Harald, rei Haakon VIII, e outros integrantes da realeza caminharam atrás do caixão, coberto pela bandeira oficial da família real norueguesa.
A viúva de Harald, a rainha Sonja, e a mulher de Haakon, a rainha Mette-Marit, seguiram em um carro. Autoridades norueguesas e representantes de outros países participaram do cortejo, incluindo integrantes da realeza de outras nações e líderes políticos, como o presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski.
Harald, que morreu em 28 de agosto aos 89 anos, era o monarca mais velho da Europa e havia reinado por 35 anos. Ele modernizou o Palácio Real, mas se recusou a seguir os passos de outros monarcas idosos que abdicaram nos últimos tempos.
Após a morte de Harald, Haakon tornou-se imediatamente rei e, na semana passada, prestou juramento de lealdade à Constituição da Noruega no Parlamento.
Multidão acompanha o funeral
Uma multidão foi até Oslo para acompanhar o funeral, e milhares de pessoas ficaram atrás de barreiras nas ruas enfeitadas com bandeiras nacionais. A região central foi fechada para veículos e patinetes elétricos, e a polícia orientou os cidadãos a não levarem bicicletas, guarda-chuvas ou objetos cortantes.
Pessoas de todo o país acompanharam a cerimônia. Segundo a emissora pública NRK, dezenas de igrejas, bibliotecas, centros culturais e prefeituras disponibilizaram telões para que o público assistisse ao funeral.
Antes do funeral, noruegueses esperaram pacientemente para passar diante do caixão de Harald na capela do Palácio Real. A fila chegou a durar sete horas em determinado momento durante o fim de semana. Durante a semana em que o corpo permaneceu em velório, mais de 46 mil pessoas visitaram a capela.
Entre os convidados estavam os monarcas da Suécia, Dinamarca, Espanha, Holanda, Bélgica e Jordânia. O herdeiro do trono do Reino Unido, príncipe William, também compareceu, assim como o príncipe herdeiro do Japão, Akishino. Presidentes europeus, como o da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, e o da Lituânia, Gitanas Nauseda, se juntaram a eles.
Zelenski também estava presente. Na terça-feira, 8, ele se reuniu com o primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, em Oslo, para discutir a guerra na Ucrânia.
Os Estados Unidos foram representados pela subsecretária de Estado para Assuntos Políticos, Allison Hooker.
Um minuto de silêncio foi observado em toda a Noruega no início da cerimônia fúnebre. Discursos em homenagem a Harald foram feitos pelo presidente do Parlamento da Noruega e por Støre, e houve uma cerimônia de acendimento de velas com representantes de diferentes religiões.
O governo norueguês afirmou que não se trata de um feriado oficial, mas escolas e locais de trabalho poderiam optar individualmente por permitir que estudantes e funcionários acompanhassem os eventos desta quarta-feira. Também foi recomendado que "eventos barulhentos sejam suspensos enquanto o funeral estiver em andamento".
Após o funeral, o caixão de Harald será levado em cortejo até a capela do Castelo de Akershus, onde estão enterrados os ancestrais do falecido rei. Depois de uma cerimônia privada para a família real norueguesa, que contará com a presença de alguns dos convidados estrangeiros e de autoridades norueguesas de alto escalão, o caixão será baixado à cripta.
A monarquia da Noruega remonta suas origens ao rei Harald Cabelos-Belos, no século IX. Quando a Noruega recuperou sua independência da Suécia, em 1905, três quartos dos eleitores aprovaram, em um plebiscito nacional, a restauração da monarquia.
A família real norueguesa tem parentesco com outras famílias reais europeias. Harald e Haakon são parentes do rei Charles III, do Reino Unido, e do rei Felipe VI, da Espanha: todos são descendentes da rainha Vitória, do Reino Unido, que reinou de 1837 até sua morte, em 1901.
Hoje, o papel da família real é em grande parte simbólico, e o poder está nas mãos do governo e do Parlamento eleitos, mas a monarquia norueguesa mantém uma função na divulgação do país pelo mundo.(Com informações da Associated Press).



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