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Fortalecido após vitória, Maduro já pensa em eleições para prefeitos

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BUENOS AIRES - Pouco preocupado com as denúncias de fraude e fortalecido por uma eleição na qual seu partido obteve 18 dos 23 governos estaduais da Venezuela, o presidente Nicolás Maduro já está preparando as eleições de prefeitos e poderia até mesmo, segundo analistas locais ouvidos pelo GLOBO, antecipar as presidenciais de 2018. Na quarta-feira, os 18 governadores do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) foram empossados na toda poderosa Assembleia Nacional Constituinte (ANC) e a sensação no país é que o Palácio de Miraflores aproveitará o embalo das regionais de domingo passado para capitalizar ao máximo seu questionado triunfo e, também, a grave crise em que mergulhou a oposição.

— Vamos ganhar 90% das prefeituras — declarou o chefe de Estado, antecipando que seu governo já está trabalhando para convocar novas eleições, provavelmente antes do final deste ano.

As eleições municipais, assim como as regionais, já deveriam ter sido realizadas, mas o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) alterou o calendário.

— Julio Borges (presidente da Assembleia Nacional), se vocês querem sair do sistema eleitoral, saiam. Faremos eleições com ou sem vocês — alfinetou Maduro.

A Mesa de Unidade Democrática (MUD) reforçou sua denúncia de fraude, e na quarta-feira os cinco governadores eleitos da oposição não estiveram presentes na posse na ANC. A decisão, que provocou intenso debate entre os opositores, poderia implicar graves consequências para os novos governadores, que ainda não sabem se poderão exercer seus cargos.

De acordo com analistas, o cenário para a MUD é muito delicado.

— Hoje temos um presidente vivendo um excelente momento e uma oposição em crise. Vejo uma radicalização do governo no horizonte — opinou Carlos Romero, professor da Universidade Central da Venezuela (UCV).

Ainda de acordo com ele, a possibilidade de antecipação das eleições presidenciais é cada vez maior.

— O governo vai querer aproveitar este cenário, e deixar as presidenciais para o final de 2018 não encaixa nesse plano — assegurou Romero.

O analista também ressaltou que Maduro não se fortaleceu apenas perante a oposição, mas, também, dentro do chavismo. Alguns dirigentes considerados críticos ao presidente foram derrotados em estados importantes, como Zulia e Táchira. Em ambos os casos, eram militares que participaram do levante comandado pelo presidente Hugo Chávez em 1992.

— A oposição está dividida e destruída moralmente, ainda não entendeu o resultado. Se decidir não participar mais de eleições, perderá sua agenda mais positiva — apontou Edgar Gutiérrez, diretor da Venebarômetro.

No chavismo, no entanto, o clima é de euforia.

— Maduro liderou as batalhas com astúcia, responsabilidade, compromisso e consciência revolucionária. Os impérios foram derrotados — disse a presidente da ANC, Delcy Rodríguez.

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