GENEBRA - A fuga de cerca de 20 mil pessoas, entre segunda e terça-feira, devido à crise na cidade síria de Aleppo levou a ONU a convocar uma reunião de emergência do Conselho de Segurança, a pedido da França, para avaliar a situação. Num comunicado, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) afirmou ser urgente a implantação de uma “passagem segura” para retirar civis do Leste de Aleppo, bem como transportar doentes e feridos. A região, um dos principais bastiões da oposição síria em meio à guerra que devasta o país desde março de 2011, vem sendo intensamente bombardeada pelas forças do presidente Bashar al-Assad, apoiadas por caças russos.
Segundo o CICV, entre julho e meados de novembro, mais de 40 mil pessoas fugiram dos bairros atacados no Leste da cidade, que era a maior da Síria antes de estourar a guerra, quando tinha 2,1 milhões de habitantes. Com a nova fuga, o número chega a 60 mil nos últimos meses.
Atualmente, cerca de 250 mil civis vivem no setor rebelde de Aleppo. E, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), o êxodo continuava ao longo de todo o dia de ontem. Houve combates em vários bairros, como em Bab al Nayrab, onde dez civis morreram num bombardeio.
De acordo com a ONU, metade dos que fugiram nos dois dias foi para a região Oeste de Aleppo, controlada pelo regime de Assad, enquanto a outra metade encontrou refúgio no pequeno enclave de Sheikh Maqsud, nas mãos das forças curdas. Outros milhares de civis seguiram para o Sudeste da cidade, após a captura pelo regime dos bairros do Nordeste da região.
Nos últimos três dias, as tropas de Assad tomaram mais de 30% do território rebelde na cidade, encarada como o principal desafio do governo de Damasco na guerra, que já custou mais de 300 mil mortos em mais de cinco anos. O aumento dos combates em terra e os bombardeios indiscriminados deixaram dezenas de civis mortos ou feridos. Segundo o OSDH, nas últimas ofensivas, desde 15 de novembro, foram mortos mais de 250 civis no Leste de Aleppo. Os rebeldes mataram, por sua vez, pelo menos 40 civis em seus ataques a zonas governamentais. O Exército leal a Assad também não permite a entrada de comboios de ajuda humanitária.
— Não há nem alimentos, nem água, nem meios de transporte — declarou Ibrahim Abu Laith, porta-voz dos Capacetes Brancos, grupo de voluntários que trabalha no resgate em áreas em confronto.
Segundo a ONU, não resta nenhum hospital em funcionamento e as reservas de alimentos estão praticamente esgotadas.
— Estou extremamente preocupado com o destino dos civis por causa da situação alarmante e aterradora na cidade de Aleppo — afirmou o diretor de operações humanitárias da ONU, Stephen O’Brien.
O embaixador francês na ONU, François Delattre, disse a jornalistas que Paris pediu com urgência a reunião junto ao governo de Senegal, atualmente na presidência do Conselho de Segurança. O encontro deverá ocorrer nas próximas horas.
— A França e seus sócios são podem se manter em silêncio diante do que poderia ser um dos maiores massacres de civis desde a Segunda Guerra Mundial — assinalou Delattre, para complementar: — Precisamos encontrar uma forma de fazer chegar a ajuda humanitária à população.

