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EUA: ‘Há preocupação excessiva com raça’, diz especialista

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WASHINGTON — Carlos Quesada, diretor-executivo do Instituto de Raça, Equidade e Direitos Humanos, de Washington, afirma que o debate racial nos EUA piorou. Os grupos fundamentalistas brancos, como define, fiam-se no presidente Donald Trump e agem com base em um premissa perversa: os brancos não podem ser pobres.

Os EUA se preocupam com raça mais que o ideal?

Sim, há uma preocupação excessiva, uma obsessão desde a fundação do país. Quando os Estados Unidos foram colonizados, os brancos não se mesclaram com os indígenas, pelo contrário, os mataram. E, as várias massas de imigrantes sempre lutaram para manter “sua pureza”. Isso tem a ver com um racismo estrutural que segue até hoje.

E isso se reflete na busca de tentar saber suas origens?

Há a necessidade disso. Nos EUA, somos definidos com base em de onde viemos.

Essa situação está por trás da eleição de Trump?

Sim. Um grupo de pessoas brancas se sentiu excluída no governo de Barack Obama, e Trump apelou a este grupo. Isso é perverso, pois parte da ideia de que os brancos não podem ser pobres nos EUA, apenas negros, latinos e outras minorias podem. É uma ideologia racista.

Estes grupos veem como última oportunidade de luta?

Sim, eles estão muito equivocados, pois não há passo atrás possível: somos um país de diversidade. Ponto. Há um grupo de fundamentalistas brancos que pretendem que as mulheres brancas tenham mais filhos, pois hoje nos EUA são os negros que têm mais bebês. É um temor nostálgico, o temor de perder uma realidade que não existe mais. Não apenas estamos longe de resolver os problemas raciais como agora estamos na contramão, os últimos acontecimentos e os discursos do presidente estão dividindo os grupos.

E como vê formulários que colocam latinos como raça?

O censo trata de grupos étnicos e isso orienta políticas. Em outros locais, sim, parece que há um pouco de racismo, o que foi reconhecido, a ponto de todos estes formulários terem que trazer a opção “não responder”.

O censo mostra que poucos americanos se classificam como mestiços...

Tem a ver com a discriminação racial. E ela não parte apenas dos brancos. Há discriminação de hispânicos contra asiáticos, de hispânicos contra negros, de negros contra hispânicos. É algo perverso, as minorias estão reproduzindo o comportamento dos brancos. E os hispânicos, em geral, se juntam em comunidades gerando microssociedades. O casamento entre pessoas de diferentes raças ocorre mais entre os mais instruídos, com mais acesso à diversidade.

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