O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, intensificou nesta quarta-feira, 9, a guerra contra as drogas no Equador após se reunir com o presidente Daniel Noboa, um fiel aliado do presidente Donald Trump, durante uma viagem pela América do Sul.
Rubio informou à imprensa em Quito que Washington designou a gangue criminosa equatoriana Los Tiguerones como organização terrorista estrangeira, como parte de sua estratégia para combater o tráfico de drogas na região.
"Não estamos falando de uma máfia comum, não estamos falando de criminosos, estamos falando de terroristas que, em muitos casos, realmente possuem armas e equipamentos semelhantes aos de um exército nacional", disse ele ao lado do ministro das Relações Exteriores do Equador.
O secretário de Estado visita a capital equatoriana pela segunda vez desde que assumiu o cargo, como parte de uma viagem que inclui a Colômbia e o Peru.
A quadrilha Los Tiguerones é um dos principais atores na guerra entre grupos criminosos no Equador, que se tornou o país mais violento da região, com uma taxa de homicídios de 51 por 100 mil habitantes em 2025, o que equivale a um a cada hora.
Essas organizações têm alianças com máfias de diversos países, como a Albânia e o México. Estima-se que 70% da cocaína produzida na Colômbia e no Peru passe pelo Equador.
Desde 2025, o Departamento de Estado também classificou como organizações terroristas os grupos equatorianos Los Choneros, Los Lobos e Chone Killers.
A medida é a mesma aplicada às facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), designadas como terroristas no início de junho. A decisão autoriza, sem aviso prévio, o bloqueio de bens e de fundos pertencentes a essas organizações nos EUA.
"Não temos melhor aliado na região no que diz respeito ao combate à ameaça do crime transnacional", afirmou Rubio após a reunião a portas fechadas com Noboa, que exerce pressão militar contra as poderosas quadrilhas criminosas que operam nesse país, fundamental para o tráfico de cocaína com destino aos Estados Unidos, à Europa e à Ásia.
Mais ajuda
O secretário indicou que a Casa Branca providenciará para o Equador novos auxílios financeiros no valor de 55 milhões de dólares para desmantelar grupos criminosos e combater a mineração ilegal.
Além disso, os Estados Unidos cederão uma embarcação da Guarda Costeira para vigilância marítima e concluirão a entrega de 12 navios interceptadores de lanchas de traficantes.
A visita de Rubio ocorre no momento em que os dois países realizam operações militares conjuntas contra barcos de pesca carregados de combustível, supostamente a serviço dos narcotraficantes no Pacífico.
Até o momento, as forças armadas afundaram seis embarcações em duas semanas, a última delas na terça-feira, em meio a denúncias de supostas violações dos direitos humanos.
Rubio se reuniu na terça-feira em Barranquilla com o recém-empossado presidente colombiano Abelardo de la Espriella, que aderiu ao Escudo das Américas, uma aliança antinarcóticos de nações americanas liderada por Trump.
Na quinta-feira, Rubio irá a Lima em sua última parada para se reunir com a nova presidente do Peru, Keiko Fujimori.
Prisões, desaparecimentos e torturas
A ONG equatoriana Comitê Permanente pela Defesa dos Direitos Humanos denuncia pelo menos 143 "prisões arbitrárias" em 2026 durante operações em águas equatorianas, bem como "desaparecimentos forçados, tortura e destruição de embarcações por explosões acionadas por militares dos Estados Unidos".
Pescadores e seus familiares na cidade de Manta relataram, em entrevistas à AFP , supostos abusos cometidos pelos militares e negam trabalhar para o narcotráfico.
Vários países da região passaram a ter governos conservadores desde o retorno de Trump à Casa Branca em 2025.
Rubio alertou, em um artigo publicado na mídia dos países visitados em sua turnê, que potências estrangeiras, em particular a China, haviam entrado no hemisfério com "práticas predatórias". Noboa viajou a Pequim em agosto com fins comerciais.
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