Por Jody Godoy e Dawn Chmielewski
NOVA IORQUE/LOS ANGELES, 13 Jul (Reuters) - A Califórnia e 11 estados norte-americanos entraram com uma ação judicial para bloquear a aquisição de US$110 bilhões da Warner Bros. Discovery pela Paramount , alegando que o acordo criaria um gigante da mídia com o poder de aumentar os preços no cinema e na televisão.
O processo ameaça prejudicar os planos do presidente-executivo da Paramount, David Ellison, de transformar sua empresa em uma grande concorrente da Netflix e Disney . A empresa não respondeu imediatamente a um pedido de comentário, mas já havia declarado anteriormente que qualquer processo judicial teria motivação política.
Todos os procuradores-gerais estaduais envolvidos no processo de segunda-feira são democratas.
Os críticos do acordo afirmaram que as conexões políticas da Paramount ajudaram a facilitar a aprovação dos órgãos federais de defesa da concorrência no mês passado. O pai do presidente-executivo da Paramount, David Ellison, o bilionário cofundador da Oracle, Larry Ellison, cultivou laços com o presidente republicano Donald Trump.
"Após essa fusão, para cada dólar gerado por filmes de grande lançamento nos cinemas e canais básicos de TV a cabo neste país, a empresa resultante da fusão embolsará mais de um quarto", afirmaram os estados no processo, acrescentando que "essa fusão, em resumo, criaria um gigante da mídia".
Caso o acordo seja aprovado, a Paramount controlará 27% do mercado de distribuição de filmes exibidos em cinemas nos Estados Unidos, 30% da distribuição de filmes de grande sucesso e 27% do mercado de canais básicos de TV a cabo, disseram os estados.
As ações da Paramount ampliaram ligeiramente os ganhos após a abertura do processo, subindo 2,9%. As ações da Warner Bros. subiram 2,6% após a notícia.
É provável que a decisão sobre as alegações dos estados leve meses, causando um atraso que pode gerar custos de centenas de milhões de dólares para a Paramount. Os estados pediram à Paramount que adie a conclusão do negócio até que o processo legal seja finalizado e afirmaram que buscarão uma liminar para impedir a conclusão do negócio caso não haja acordo.
A Paramount e a Warner Bros competem pelas melhores datas de lançamento e salas em milhares de cinemas por todo o país, afirmaram os estados. Sem essa competição, cinemas e espectadores poderiam enfrentar preços mais altos, argumentaram os estados. Da mesma forma, as distribuidoras de TV por assinatura e seus assinantes dependem da competição entre as duas empresas, que juntas controlariam grandes canais como CNN, MTV, HGTV, Cartoon Network e Nickelodeon.
Quando o Departamento de Justiça dos EUA aprovou o acordo no mês passado, afirmou que ele beneficiaria consumidores e trabalhadores.
Arizona, Colorado, Connecticut, Massachusetts, Minnesota, Nevada, Nova Jersey, Novo México, Nova York, Oregon e Washington aderiram ao processo.
O procurador-geral do Oregon, Dan Rayfield, afirmou que "apesar dos órgãos reguladores federais terem aprovado sem questionamento esse mau acordo, estamos tomando medidas para proteger as famílias, as pequenas empresas e a indústria cinematográfica do Oregon".
O acordo gerou protestos dos trabalhadores de Hollywood, que temiam que prejudicasse os empregos. Os donos de cinemas também se opuseram ao acordo, preocupados com a possibilidade de menos filmes serem exibidos.
A Paramount afirmou que o acordo permitirá produzir mais, e não menos, após cortar US$6 bilhões em infraestrutura redundante, marketing e empregos corporativos. Ellison prometeu que os estúdios de cinema combinados lançariam 30 filmes por ano.
Os estados consideraram esse compromisso inexequível e afirmaram que, mesmo que a empresa cumprisse a promessa, ainda estaria em posição de aumentar os preços e diminuir a qualidade após a fusão. Alegaram que a fusão teria um efeito cascata nas economias dos estados, prejudicando dezenas de milhares de escritores, atores, equipes de filmagem e outros.
A Paramount se comprometeu a pagar cerca de US$650 milhões em taxas aos acionistas da Warner Bros. Discovery a cada trimestre, caso o negócio não seja concluído antes de outubro. A empresa afirmou que atrasos podem forçá-la a renegociar o financiamento do negócio, causar incerteza quanto ao preço de suas ações ou até mesmo inviabilizar a transação por completo.



Aviso