ANCARA — Com 99% dos votos apurados, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, declarou vitória no referendo deste domingo, em que a população votou a expansão dos seus poderes presidenciais. O resultado, até o momento, aponta 51% dos votos em favor da reforma constitucional de Erdogan — a mudança mais radical no sistema político turco em sua História moderna. A oposição, no entanto, afirma que pedirá a recontagem de 40% dos votos, alegando que houve irregularidades na votação.
Em discurso para uma multidão em Ancara, Erdogan agradeceu ao apoio dos eleitores e disse que esta era uma mudança pró-democracia. A vitória, no entanto, preocupa críticos do governo e nações europeias, que alertam para a concentração de poderes e o reforço da onda autoritária no governo turco.
— Uma nova página foi aberta como resultado desta votação. É aqui que a nossa democracia se prova — disse o presidente sobre um palco. — Obrigado, minha querida nação!
A oposição diz que até 2,5 milhões de cédulas de votação apresentavam problemas. Além disso, diz ter recebido informações de que houve fraude eleitoral entre 3% ou 4% dos votos. Os dois principais partidos da oposição prometem apelar na tentativa de reverter os resultados.
Com a vitória do voto "sim", defendido por Erdogan a democracia parlamentar do país será substituída por um poderoso presidencialismo, que poderia deixar Erdogan no cargo até pelo menos 2029. Nove meses após uma tentativa fracassada de golpe de Estado, a votação decide a favor ou contra uma reforma constitucional que suprime o cargo de primeiro-ministro e concentra amplos poderes nas mãos do presidente turco.
Nove meses após uma tentativa fracassada de golpe de Estado, a votação decide a favor ou contra uma reforma constitucional que suprime o cargo de primeiro-ministro e concentra amplos poderes nas mãos do presidente turco. Erdogan e seus aliados dizem que as mudanças são necessárias para melhorar a atual constituição, escrita por generais após um golpe militar de 1980, confrontar os desafios de segurança e políticos que a Turquia enfrenta e evitar os frágeis governos de coalizão do passado.
O resultado também irá moldar as tensas relações da Turquia com a União Europeia. O país-membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) conteve o fluxo de imigrantes – principalmente de refugiados das guerras na Síria e Iraque – para o bloco, mas Erdogan disse que pode revisar o acordo após a votação. Por sua vez, a oposição critica um novo passo autoritário de Erdogan, que é acusado de tentar silenciar todas as vozes dissidentes, especialmente desde a tentativa de golpe de 15 de julho.
A campanha ocorreu durante o decreto de estago de emergência imposto após o golpe fracassado. Cerca de 47 mil pessoas foram presas à época e mais de 120 mil foram demitidas ou suspensas de seus trabalhos. A repressão gerou críticas de aliados ocidentais da Turquia e de grupos de dreitos humanos.
O partido pró-curdo HDP fez campanha com representantes de sua cúpula, incluindo diversos parlamentares, na prisão. Eles foram acusados de manter um suposto vínculo com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão, considerado uma organização "terrorista" por Ancara e seus aliados ocidentais.

