Um escândalo político atingiu o governo argentino na semana passada, após o vazamento de um áudio em que Diego Spagnuolo, ex-chefe da Agência Nacional para a Deficiência (Andis), acusa Karina Milei, irmã do presidente Javier Milei, de envolvimento em corrupção. A denúncia aponta que Karina, secretária-geral da Presidência, teria recebido propina em contratos para a compra de medicamentos destinados à rede pública. A Justiça argentina investiga as gravações e os fatos relatados.
Segundo Spagnuolo, Karina Milei e o subsecretário de gestão institucional Eduardo “Lule” Menem cobravam até 8% do faturamento das indústrias farmacêuticas para garantir contratos com o governo. O esquema, conforme o denunciante, poderia render até US$ 800 mil por mês, com Karina recebendo a maior fatia, entre 3% e 4% do valor arrecadado. Eduardo Menem é apontado como operador principal da rede de corrupção, contando com apoio de empresários da distribuidora Suizo Argentina.
O caso veio à tona na quarta-feira (20), provocando uma crise política no governo Milei. Após a repercussão, Spagnuolo foi demitido da Andis, e a Justiça argentina abriu investigações, incluindo buscas na sede da agência e na empresa Suizo Argentina. A denúncia foi registrada pelo advogado Gregorio Dalbón, aliado da ex-presidente Cristina Kirchner, em um momento de tensões políticas, incluindo a recente anulação do veto de Milei a uma lei de emergência para pessoas com deficiência.
Entre os envolvidos estão Karina Milei, Eduardo Menem, Diego Spagnuolo e empresários da Suizo Argentina, que teriam atuado como intermediários nos contratos. Durante as buscas, foram apreendidos celulares, dinheiro em espécie e documentos considerados chave para a investigação. Até o momento, cinco pessoas foram formalmente denunciadas, e medidas cautelares proibiram a saída do país dos investigados.
O presidente Javier Milei ainda não se pronunciou oficialmente sobre as acusações. Em sua primeira aparição pública após o vazamento do áudio, Milei posou ao lado da irmã, demonstrando apoio, e criticou o Congresso e a imprensa. O chefe de gabinete, Guillermo Francos, classificou o caso como perseguição política em meio ao período eleitoral, enquanto aliados de Karina Milei defenderam os acusados, qualificando os áudios como parte de uma operação política.
O caso pode impactar diretamente a governabilidade de Milei, especialmente às vésperas das eleições legislativas de outubro e do pleito para o governo da província de Buenos Aires. Se comprovadas, as denúncias podem enfraquecer o presidente argentino, comprometendo seu discurso anticorrupção e removendo Karina Milei de seu papel de confiança na administração, alertam analistas políticos.



