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Corais em Abrolhos (BA), os mais diversos do Atlântico Sul, diminuem com aquecimento do clima

Reuters

Por Sergio Queiroz

RIO DE JANEIRO, 29 Abr (Reuters) - A cobertura dos recifes de corais no arquipélago de Abrolhos, no litoral da Bahia, o ecossistema de corais com maior biodiversidade do Atlântico Sul, caiu cerca de 15% em 18 anos devido às mudanças climáticas e à atividade humana, disseram pesquisadores do Rio de Janeiro à Reuters.

As ondas de calor marinhas ligadas às mudanças climáticas intensificaram os chamados eventos de branqueamento, em que os corais expulsam as algas que os abrigam, o que prejudica permanentemente a saúde dos corais, afirmou Rodrigo Leão de Moura, biólogo marinho da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

"Com o aumento da frequência das ondas de calor, os corais podem recuperar sua cor, mas desenvolvem necrose e doenças e continuam a morrer porque sua saúde foi comprometida", disse Moura.

Os recifes de corais em todo o mundo sustentam cerca de um quarto da vida marinha, mas agora estão em uma extinção quase irreversível que os cientistas descreveram como o primeiro "ponto de inflexão" no colapso do ecossistema causado pelo clima.

Para que os recifes se recuperem, os cientistas dizem que o mundo precisaria aumentar drasticamente a ação climática para reduzir as temperaturas para apenas 1 grau Celsius acima da média pré-industrial.

No entanto, as temperaturas médias globais já aqueceram de 1,3 a 1,4 grau Celsius acima da média pré-industrial, de acordo com dados das agências científicas da ONU e da União Europeia.

Pesquisadores no Brasil estudaram os recifes de Abrolhos de 2006 a 2023. Os resultados, publicados na revista Proceedings B da The Royal Society, mostram "mudanças insidiosas nos conjuntos de corais, incluindo o colapso de corais ramificados".

Os corais maiores e ramificados sustentam a estrutura do recife, mas estão sendo substituídos por espécies de crescimento mais rápido que proporcionam menos benefícios ecológicos, segundo o estudo.

A atividade humana agrava os danos, com o sedimento revolvido pela dragagem do canal de navegação no Porto de Caravelas, nas proximidades, prejudicando a qualidade da água e sufocando os corais, afirmou Moura.

As áreas marinhas protegidas locais não impediram o declínio dos corais, indicando que, embora fundamentais para a proteção da biodiversidade, não são suficientes diante de uma crise climática global, de acordo com o relatório.

Os recifes sustentam a pesca, o turismo, os empregos e os meios de subsistência costeiros, disse Ricardo Gomes, biólogo do Instituto Mar Urbano, acrescentando que os riscos de colapso vão muito além da vida marinha.

“Colocar Abrolhos em risco significa colocar em risco toda a biodiversidade do litoral brasileiro”, declarou Gomes.

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