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Em dia de referendo sobre bases militares, presidente do Equador anuncia captura de chefe criminoso

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente do Equador, Daniel Noboa, anunciou neste domingo (16) a captura, na Espanha, do líder da maior quadrilha de narcotráfico do país, conhecida como Los Lobos, no dia de um referendo crucial para o combate ao crime.

Considerado por muito tempo um refúgio de paz na América Latina, o Equador viu a violência eclodir nos últimos anos, com gangues rivais ligadas a cartéis mexicanos e colombianos disputando o controle do tráfico de drogas.

"Hoje capturamos 'Pipo' Chavarría, o criminoso mais procurado da região e líder máximo do Los Lobos. O criminoso, que fingiu a própria morte, mudou de identidade e se escondeu na Europa", escreveu o presidente em sua conta na X.

O ministro da Defesa, John Reimberg, divulgou na mesma rede social que a prisão ocorreu na Espanha. Chavarría "é responsável por pelo menos 400 mortes", acrescentou ele.

A facção Los Lobos é considerada a maior organização criminosa do país desde que um líder de um grupo rival, Los Choneros, foi extraditado para os Estados Unidos.

O grupo está envolvido com tráfico de drogas, assassinatos por encomenda e mineração ilegal de ouro. Também foi ligado ao assassinato do candidato presidencial Fernando Villavicencio, em 2023.

O anúncio foi feito no mesmo dia em que os equatorianos votam sobre a permissão para o retorno de bases militares estrangeiras e sobre uma nova Constituição que concederia ao governo mais poder para lidar com a crescente violência no país.

Antes um oásis de paz na América do Sul, o Equador caminha para registrar o ano mais violento de sua história recente no momento em que os EUA pressionam a região pelo combate ao narcotráfico --inclusive atacando barcos no mar do Caribe e no oceano Pacífico sob a acusação de que os veículos carregam drogas.

Além da Constituinte e das bases estrangeiras, estão na pauta do plebiscito o fim da obrigatoriedade de financiamento público de partidos e a redução do número de representantes na Assembleia Nacional.

Com base nas pesquisas divulgadas nas últimas semanas, Noboa pode esperar otimista pelos resultados.

De acordo com um levantamento divulgado no dia 6 de novembro pelo instituto Cedatos, 59,1% dos equatorianos concordam com a convocação do plebiscito, ante 35,9% que discordam, e 5,3% que não sabem responder. A pesquisa tem margem de erro de 2,1 pontos percentuais.

Em relação às propostas, a mais popular é a da redução do número de legisladores, que tinha 77,2% dos votos válidos no começo de novembro, segundo estimativa do mesmo levantamento. Todas, no entanto, têm o apoio da maioria da população --a menos popular é a que versa sobre a liberação de bases militares estrangeiras, que marcou 61% dos votos válidos.

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