BARCELONA — O jovem Said Aalla, um dos jihadistas abatidos em Cambrils, deixou uma carta de despedida para sua família dentro da casa onde morava em Ripoll, cidade na província catalã de Girona. Durante uma investigação, a polícia encontrou no local vários celulares, computadores e a carta escrita pelo próprio Said dirigida a seus país.
“Peço perdão às pessoas que posso machucar nestes dias. Muito obrigada por tudo o que vocês me deram”, Aalla escreveu.
Após uma ligação de um amigo, o jovem que almoçava saiu de casa e sua família não voltou a vê-lo até descobrir que ele estava morto. Fontes asseguraram que quando os policiais entraram na casa dos pais do jihadista para investigar o local, nem seu pai nem sua mãe encararam os agentes por vergonha. Ainda não se sabe o método utilizado pelo imã de Ripoll, Abdelbaki Es Satty, para aproximar-se dos jovens. O religioso é visto como o autor intelectual do atentado.
— Ele era visto com Youssef e com Younes (dois dos autores do atentado) na estação da cidade. Pensei que ele estava dando conselhos para que eles mudassem sua forma de vida. Antes eles usavam drogas, brigavam, fumavam, bebiam. Porém, há mais ou menos seis meses deixaram de ser problemáticos — assegura um frequentador da mesquita de Ripoll ao jornal “El Mundo”.
A polícia catalã continua as investigações dos atentados em Barcelona e Cambrils e confirmou a identidade do autor do ataque nas Ramblas, que deixou 13 mortos e mais de 130 feridos. Younes Abouyaaqoub, de 22 anos, está foragido desde quinta-feira. As forças de segurança distribuíram fotografias recentes do jovem no dia do atentado pedindo informações de seu paradeiro.
Abouyaaqoub mudou radicalmente, afirmou seu ex-coordenador do trabalho, que o definiu como um jovem totalmente adaptado à Catalunha, culto e bom trabalhador.
— Ele falava de política catalã. Dizia que a Espanha era seu país e que estava muito agradecido por esta terra ter acolhido ele e sua família — recorda o ex-colega de trabalho ao jornal “El Mundo” e conta sobre uma conversa que teve com o jovem antes de ele começar no emprego. — Ele me disse que nas sextas-feiras teria que sair ao meio dia para poder ir à mesquita. O chefe aceitou. Ele trabalhava bem.
Os investigadores também determinaram que existem “indícios sólidos” que o imã de Ripoll é uma das pessoas que morreram na explosão da casa em Alcanar, na província de Tarragona, enquanto manipulava artefatos explosivos que seriam usados nos atentados. Seu carro foi encontrado estacionado em Sant Carles de la Ràpita, a 15 km do local da explosão.

