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Eleição no Japão deve confirmar Kishida como premiê, mas reduzir cadeiras governistas

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A coalizão do primeiro-ministro do Japão, Fumio Kishida, deve continuar no poder, embora tudo indique que perderá cadeiras no Parlamento, de acordo com as pesquisas de boca de urna após o fim da votação nas eleições gerais deste domingo (31).

Ainda não se sabe se o Partido Liberal Democrata (PLD), de Kishida, manterá sua maioria, mas graças à aliança com o partido Kimeito, o premiê deve manter o controle da terceira maior economia do mundo.

Segundo a emissora pública NHK, a coalizão do PLD com o Kimeito deve obter entre 239 e 288 dos 465 assentos na Câmara Baixa, mais que os 233 necessários para controlar o governo, mas menos do que os 305 que ganharam nas últimas eleições.

A votação é um teste para Kishida, que convocou eleições logo após assumir o posto no último mês, e para o conservador PLD, força dominante na política japonesa pós-guerra, cuja popularidade foi abalada pelo descontentamento público com a resposta do país à crise da Covid-19.

Kishida se tornou líder em setembro depois que Yoshihide Suga renunciou ao cargo após apenas um ano, em parte por esse motivo.

Após uma onda recorde de infecções que obrigou a realizar os Jogos Olímpicos de Tóquio a portas fechadas, os casos despencaram e a maioria das restrições foi suspensa.

O premiê prometeu criar um novo pacote de estímulo de dezenas de trilhões de ienes para conter o impacto da pandemia no país.

"Espero aprovar um orçamento extra no Parlamento neste ano para financiar medidas para apoiar as pessoas atingidas pela pandemia, como aqueles que perderam empregos e estudantes que lutam para pagar as mensalidades", disse ele a repórteres.

A perda de assentos pelo LDP pode levantar questionamentos sobre a habilidade de Kishida guiar o partido pelas eleições ao Senado do ano que vem, além de torná-lo mais dependente da sigla budista Komeito, complicando seus esforços para restabelecer plantas de energia nuclear e um discurso mais agressivo em relação à China.

Ex-banqueiro de fala mansa, Kishida, 64, tem lutado contra a imagem de que carece de carisma. Embora tenha seguido as políticas tradicionais da ala mais à direita do partido, pressionando para aumentar de gastos com as forças armadas, ele também prometeu reduzir a desigualdade social, pregando um "novo capitalismo" que tem gerado preocupação entre os investidores.

Segundo as projeções, um grande vencedor da eleição deve ser o conservador Partido da Inovação do Japão, com sede em Osaka, que deve mais do que triplicar seus assentos e ultrapassar o Komeito como a terceira força na Câmara Baixa, depois do opositor Partido Democrático Constitucional do Japão.

O surgimento dessa sigla como uma força nacional pode complicar a promessa de Kishida de reverter as políticas econômicas neoliberais.

A sigla está "realmente dominando a região de Osaka", diz Yoichiro Sato, professor de relações internacionais na Ritsumeikan Asia Pacific University. "Eles emergiram como um importante bloco conservador. Vão bloquear a ideia do novo capitalismo de Kishida de reduzir a lacuna de renda entre ricos e pobres."

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