Por Martin Petty
SANTA CLARA, Califórnia, 1º de julho (Reuters) - Uma Copa do Mundo com 104 partidas disputada ao longo de 39 dias em três países pode ser um grande desafio para os jogadores, mas vale a pena pensar também nas emissoras.
A Copa do Mundo da América do Norte bateu recordes de receita e alcance, com mais de 100 emissoras diferentes transmitindo o principal evento do futebol para 223 territórios. A Fifa prevê mais de seis bilhões de interações de mídia — um bilhão a mais que em 2022.
E o trabalho envolvido na cobertura multiplataforma do torneio ampliado para 48 seleções é enorme.
Entre os heróis anônimos estão os comentaristas das partidas, que estão indo e vindo entre as 16 cidades-sede. Cada jogo exige horas de preparação meticulosa para contar as histórias de cada time e cada jogador a um público de milhões de pessoas.
Para o comentarista da BBC Steve Bower, a magnitude desta Copa do Mundo é um desafio de um nível que ele nunca havia enfrentado em três décadas de carreira na televisão.
“Este torneio é uma loucura”, afirmou Bower à Reuters após a mais recente das nove partidas que ele cobriu até agora em seis cidades e dois países.
“O número de seleções, o volume de partidas, as viagens, as diferentes nações... essa competição tem posto à prova nossas habilidades de maneiras inéditas.”
Identificar os jogadores está entre os novos desafios. As cabines de transmissão ficam localizadas no alto de gigantescos estádios de futebol americano e muitos jogadores estão usando as mesmas chuteiras rosa fluorescente.
Manter o foco em meio ao drama é fundamental, disse Bower, especialmente em partidas simultâneas e nas rápidas mudanças nas combinações da fase de grupos, que se tornaram ainda mais complicadas pela nova regra do formato que classifica os oito melhores terceiros colocados.
Por trás da narração serena e autoritária, há um nervosismo ocasional devido à necessidade de manter o público a par do panorama geral e fazer cálculos complexos sob pressão.
“A experiência ajuda a lidar melhor com essas situações, mas a responsabilidade permanece”, afirmou Bower. “A adrenalina ajuda a superar a transmissão, mas sempre há um certo grau de nervosismo.”
Os quatro fusos horários, as 16 seleções adicionais e as 40 partidas a mais significam que as emissoras do país anfitrião tiveram que elevar o nível — a um patamar sem precedentes.
A emissora norte-americana em língua espanhola Telemundo possui estúdios de Copa do Mundo na Cidade do México, em Miami e em Nova York, 80 profissionais no ar, 1.400 funcionários de produção, além de repórteres e dezenas de câmeras em 16 cidades.
A Bell Media do Canadá, que opera a TSN, começou os preparativos em 2023 e conta com estúdios em Vancouver, Toronto e Montreal, uma turma no centro de controle de transmissão da Fifa em Dallas e várias equipes para manter o ritmo durante uma maratona de 39 dias.
Shawn Redmond, seu vice-presidente de esportes, disse que, como co-anfitriões, a Copa do Mundo é provavelmente o maior evento de mídia que o Canadá já viu.
“É uma operação com uma logística extremamente complexa”, disse. “Há uma responsabilidade e uma obrigação que levamos a sério para fazer tudo certo e honrar o Canadá.”
"OS MELHORES LUGARES DA CASA"
A rede norte-americana Fox Sports bateu seus recordes de audiência para a Copa do Mundo, com uma média de cinco milhões de telespectadores norte-americanos por partida da fase de grupos, um crescimento de 92% em relação à Copa do Mundo do Catar.
A Fox apostou alto, com 12 ex-jogadores de ponta como analistas de estúdio e nove duplas de comentaristas cobrindo os 104 jogos.
Entre eles estão Darren Fletcher e o ex-jogador da seleção inglesa Owen Hargreaves, uma dupla conhecida por suas brincadeiras espirituosas no ar, que fica sediada em Dallas e viaja de avião para Toronto, Guadalajara, Nova York, Houston e Atlanta.
Fletcher, que também trabalha para a TNT Sports britânica, adapta seu estilo de comentário a diferentes públicos e prioriza identificar as possibilidades e destacar a relevância de cada partida.
A preparação é fundamental, assim como o aprimoramento constante, o que ele faz assistindo a reprises de todas as partidas em que trabalhou, analisando minuciosamente cada comentário.
“Tento me concentrar, conhecer todas as possibilidades quando os grandes jogos começam. Sou um torcedor como qualquer outro e posso errar tanto quanto qualquer outra pessoa”, disse Fletcher à Reuters.
“Você precisa estar por dentro de tudo. Não há nada de genial nisso.”
Apesar de todos os desafios, Bower, da BBC, se considera um dos poucos sortudos que testemunham os grandes momentos do futebol em primeira mão.
“Acredito sinceramente que é o melhor trabalho do mundo”, disse. “Nunca reclamo.”
Fletcher diz o mesmo, especialmente com tantos torcedores excluídos pelos altos preços dos ingressos.
"Nós temos os melhores lugares da casa, assistindo à Copa do Mundo ao lado do meu amigo - é mais do que poderia pedir", disse.
(Reportagem de Martin Petty)



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