LONDRES - Com 292.316 votos nas eleições britânica, o Partido Unionista Democrático será a peça-chave para a primeira-ministra Theresa May conseguir governar, após ter perdido a maioria absoluta no Parlamento britânico. A premier anunciou na manhã desta sexta-feira que formará um governo de coalizão com o nanico da Irlanda do Norte, o que é necessário para que ela garante votos suficientes no Legislativo para garantir que suas medidas sejam aprovadas no processo de negociação de saída do Reino Unido da União Europeia.
Antes com oito cadeiras, o nanico da Irlanda do Norte agora conseguiu ampliar sua participação no Parlamento do Reino Unido e terá dez representantes no Legislativo. Juntos com as 318 vagas obtidas pelos conservadores, a coalizão soma 328 lugares, o que supera as 326 cadeiras necessárias para conquistar maioria absoluta. Em 2015, o DUP já havia apoiado os conservadores na eleição de 2015, quando David Cameron venceu e garantiu maioria absoluta no Parlamento, agora perdida por May.
O DUP é o maior partido da Irlanda do Norte, apesar da pequena participação no Parlamento britânico. Fundado em 1971, segue ideologia unionista, ou seja, defende primeiramente a manutenção dos laços com o Reino Unido. A legenda se considera “de direita por ser forte a respeito da Constituição” e de “esquerda pelas políticas sociais”. No entanto, adota visões controversas e se opõe à legalização do aborto e do casamento homossexual — a Irlanda do Norte é o único lugar no Reino Unido onde o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo não é permitido. Líderes da legenda já foram alvos de crítica por se referir a gays e transexuais como “nojentos” e “abomináveis”.
O partido é defensor da saída do Reino Unido da União Europeia, mas apoia uma separação “suave” para evitar que sua fronteira com a Irlanda, que é parte da UE, seja afetada pelo processo.
“O que queremos ver é um plano viável para sair da União Europeia, e é o que importa sobre a votação nacional. Portanto, precisamos seguir com isso”, afirimou em entrevista à Sky News a líder do DUP, Arlene Foster. “No entanto, precisamos fazer isso de modo que respeita as circunstâncias específicas da Irlanda do Norte e, claro, nossa história e geografia compartilhadas com a República da Irlanda.

