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Diálogo entre governo e oposição é novamente suspenso na Nicarágua

MANÁGUA — Sem avanços, a Conferência Episcopal (CEN) suspendeu, na noite de segunda-feira, um diálogo entre governo e oposição para pacificar a Nicarágua e vinculou o prosseguimento das conversas ao convite à participação de organismos internacionais de direitos humanos. Com isso, a sessão plenária do diálogo prevista para esta terça-feira foi adiada. A Aliança Cívica pela Justiça e a Democracia já havia abandonado as mesas de trabalho nesta segunda-feira, após acusar o governo de ignorar o acordo para convidar os órgãos para as investigações sobre à repressão violenta aos protestos, que deixaram 180 mortos até agora.

“Quando o governo nos enviar a cópia dos convites e os organismos internacionais nos transmitirem sua recepção convocaremos a retomada das mesas de trabalho e a sessão plenária do diálogo”, destacou a CEN, em nota.

O diálogo acontecia no seminário de Nossa Senhora de Fátima, em Manágua.

— Este governo tem que demostrar vontade política. Isto não é um jogo, é algo sério para o futuro da Nicarágua. Não podem continuar assassinando mais pessoas — afirmou o bispo Silvio Báez, arcebispo auxiliar de Manágua.

O líder estudantil Lesther Alemán revelou que durante mais de uma hora se pediu ao governo a cópia do convite que deveria enviar à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos e à União Europeia (UE), e “como não a apresentaram, nos levantamos” da mesa.

— Precisamos que estes organismos estejam no país como garantia do que foi acertado e que acabe a violência contra a população — disse a dirigente do Movimento de Mulheres, Azhalia Solís.

O Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, condenou durante na sessão do Conselho de Direitos Humanos em Genebra a violência na Nicarágua, e pediu ao governo que cumpra os compromissos firmados na sexta-feira.

Enquanto isso, as forças de governo lançaram nesta terça-feira uma forte ofensiva para recuperar o controle de Masaya, declarada em rebeldia pela população — a cidade foi bastião da luta contra a ditadura de Anastasio Somoza em 1979. Na segunda-feira, seis membros de uma família morreram em um ataque atribuído a paramilitares ligados ao governo do presidente Daniel Ortega.

— Frente a este ataque desmedido e incomparável em forças, os cidadãos estão resistindo fisicamente, dentro de suas possibilidades porque têm que resguardar suas vidas — denunciou o secretário da Associação Nicaraguense Pró-Direitos Humanos (ANPDH), Álvaro Leiva. — No ataque foram reportados pelo menos 32 feridos e estamos enviando um pedido de ajuda para que acabem com o terror.

O chanceler Denis Moncada, chefe da delegação oficial, justificou a ausência do convite aos organismos internacionais por razões “burocráticas”, revelou o acadêmico Carlos Tünnerman, representante da sociedade civil no diálogo.

— Vá a seu gabinete, redija as cartas, mande os convites e traga as cópias para o plenário do diálogo nesta terça-feira — disse Tünnerman a Moncada, horas antes da decisão dos bispos de suspender o diálogo.

O governo emitiu uma declaração na qual negou a repressão aos protestos e manifestou sua “gravíssima preocupação pela trágica escalada da violência que sofre o povo nicaraguense”. No texto, afirma que propôs à oposição “trabalhar para se alcançar acordos verificáveis de segurança, paz e reconciliação nos municípios e departamentos da Nicarágua”, mas não citou a questão do convite.

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