O trineto do General Robert E. Lee, líder confederado cuja estátua esteve no centro dos conflitos que terminaram em morte em Charlottesville, condenou a violência dos acontecimentos do último final de semana e disse que não vê problema na decisão de retirar os monumentos aos confederados dos locais públicos, segundo a CNN. Robert E. Lee V., 54, disse considerar apropriado que as peças sejam exibidas num museu.
— Eventualmente, alguém terá que tomar uma decisão, e se é essa a legislação local, que seja. Mas nós temos que ser capazes de ter essa conversa sem todo o ódio e a violência. E, caso eles escolham derrubar as estátuas, tudo bem — afirmou em entrevista à TV americana.
Foram os planos de remover a estátua de bronze do General Robert E. Lee do Parque da Emancipação, em Charlottesville que provocaram a revolta de grupos de supremacistas brancos, reunidos em manifestações no final de semana passado. Após marcharem contra a decisão na sexta-feira, 11, aos gritos de “Vidas brancas importam!” e “Judeus não vão nos substituir!”, os grupos de nacionalistas brancos, neonazistas e membros da Ku Klux Klan (KKK) reuniram-se no sábado, 12, no ato “Unir a Direita”, que resultou em conflitos com contra-manifestantes, terminando em morte. Uma mulher de 32 anos, que protestava contra o ato da supremacia branca morreu quando um homem de 20 anos avançou com seu carro, atropelando um grupo de manifestantes.
O trineto do general chamou os incidentes de insensíveis e disse que se sente triste por sua família.
— Os tipos de ação que ocorreram no sábado não serão tolerados. Nós temos certeza que o General Lee nunca defenderia esse tipo de violência — afirmou. — Nós só queremos que as pessoas saibam que a família Lee realmente deseja o melhor para as pessoas de Charlottesville.
A explosão de violência racial em Charlottesville está inspirando várias cidades americanas a aumentarem os esforços para derrubar monumentos ligados ao passado escravocrata de espaços públicos. Os monumentos a soldados confederados nos Estados Unidos representam os estados do Sul na Guerra Civil, que defendiam ideais escravocratas. Os contrários a tais memoriais argumentam que eles são símbolos de ódio. Os prefeitos de Baltimore (Maryland) e Lexington (Kentucky), por exemplo, fazem parte deste grupo. Além disso, autoridades de Memphis (Tennessee) e Jacksonville (Flórida) anunciaram novas iniciativas para tirar monumentos em honra a confederados.
Ainda de acordo com a CNN, Bertram Hayes-Davis, trineto de outro líder confederado também diz aceitar as remoções. O descendente de Jefferson Davis, que foi presidente dos estados confederados, afirmou que os monumentos deveriam ser transferidos para um museu já que são tão ofensivas para a maioria das pessoas.
— Num local público, se algo é ofensivo e as pessoas estão tendo problemas com isso, temos que retirá-lo. Vamos colocar as estátuas num local em que elas caibam historicamente de forma que hajam pessoas que vão até lá para vê-la, pessoas que querem entender aquela história e aquela pessoa — afirmou à CNN.
Uma estátua de Jefferson Davis está exposta dentro do National Statutary Hall, no Capitólio americano, junto com outras de líderes confederados, incluindo Lee. Hayes-Davis afirma que ele entende porque as pessoas não concordam com a exibição de símbolos confederados, incluindo a bandeira.
— A bandeira da batalha confederada, na minha opinião, foi sequestrada por esse grupo de racistas e deve ficar num museu que indique que ela é uma bandeira militar e não uma bandeira dos Estados Confederados da América — afirmou na entrevista.



Aviso