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Cruz Vermelha identifica 21 casos de ‘pagamento por serviços sexuais’ por funcionários

Cruz Vermelha identifica 21 casos de ‘pagamento por serviços sexuais’ por funcionários
Cruz Vermelha identifica 21 casos de ‘pagamento por serviços sexuais’ por funcionários

GENEBRA — Em meio a escândalos envolvendo funcionários de organizações de ajuda humanitária, a Cruz Vermelha Internacional informou que 21 profissionais se demitiram ou foram afastados nos últimos três anos, por envolvimento em casos de “pagamentos por serviços sexuais” durante missões. Outros dois funcionários suspeitos de “má conduta sexual” não tiveram seus contratos renovados.

“Estou profundamente entristecido por relatar estes números”, afirmou o diretor-geral da Cruz Vermelha Internacional, Yves Daccord, em comunicado divulgado na sexta-feira. “Este comportamento é uma traição às pessoas e às comunidades onde estamos para servir. É contra a dignidade humana e nós devíamos ter sido mais vigilantes para preveni-lo”.

Segundo Daccord, o código de conduta da organização, imposta a todos os 17 mil funcionários espalhados pelo mundo, proíbe explicitamente o pagamento por serviços sexuais. A proibição, imposta em 2006, se aplica a todos os países de atuação, incluindo aqueles onde a prostituição é permitida legalmente, “já que a Cruz Vermelha Internacional acredita que funcionários pagando por sexo é incompatível com os valores e a missão da organização”.

No início do mês, a após a revelação de que casos de assédio e exploração sexual envolvendo altos funcionários no Haiti teriam sido abafados. Desde então, outras organizações de ajuda humanitária foram implicadas na questão. A envolveram seus profissionais em 2017. O vice-diretor-executivo do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (Unaids), o brasileiro Luiz Loures, se afastou do cargo após ser denunciado por assédio sexual contra uma funcionária.

Esses e outros casos envolvendo ONGs internacionais fizeram com que a Cruz Vermelha Internacional conduzisse uma revisão interna para identificar casos envolvendo seus funcionários nos últimos três anos. Daccord afirma que a organização criou um escritório de em 2017 e possui uma rede de ouvidorias para receber denúncias em todo o mundo. Uma conta de e-mail dedicada e confidencial foi criada para que funcionários façam denúncias. Além disso, outras organizações internacionais foram contatadas para ações que requerem esforços coletivos, como prevenir que envolvidos em casos do tipo sejam recontratados por outras agências.

“As medidas que tomamos até agora foram importantes, mas precisamos fazer mais para lidar com este comportamento inaceitável”, pontuou o diretor da ONG. “Nós devemos ser humildes, ouvir as comunidades e as equipes, e reconhecer a mudança cultural necessária para esta organização”.

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