Início Mundo Cresce percepção mundial de que homens tem mais vantagens que mulheres, diz estudo
Mundo

Cresce percepção mundial de que homens tem mais vantagens que mulheres, diz estudo

Envie
Envie
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Aumentou a percepção de que os homens têm uma vida melhor do que as mulheres em 16 países do mundo, segundo estudo do Pew Research Center divulgado nesta quinta-feira (30). No entanto, há grande otimismo de que a igualdade de gênero será alcançada no futuro. Na média, que considera os 34 países pesquisados, 46% dos entrevistados concordaram com a afirmação de que os homens têm uma vida mais fácil do que a das mulheres, 15% disseram que as mulheres têm mais vantagens e 31% citaram que ambos têm a mesma qualidade de vida. Para os pesquisadores, essa mudança de percepção se deve ao aumento do debate e de ações em busca da igualdade de gênero e para combater ataques às mulheres, como o movimento #MeToo, de combate ao assédio sexual. Nos últimos anos, a disparidade salarial entre homens e mulheres e as limitações para elas crescerem na carreira e expressarem seus pontos de vista também ganharam espaço nas redes sociais e no noticiário. No Brasil, essa percepção das vantagens masculinas subiu de 42% para 52% nos últimos nove anos. "No geral, os brasileiros demonstram grande apoio à igualdade de direitos e preferência por casamentos igualitários [nos quais homens e mulheres têm direitos e responsabilidades equivalentes]", diz a pesquisadora Janell Fetterolf, que trabalhou nesse estudo. Houve altas expressivas na percepção de que os homens têm mais vantagens também na Turquia, Reino Unido, Japão, Estados Unidos e Argentina, entre outros países. A Polônia foi um dos poucos que registraram queda, ao lado da França. A pesquisa do Pew, um centro de pesquisa sediado em Washington, ouviu 38.426 pessoas em 34 países, entre maio e outubro de 2019. No entanto, a comparação entre a situação atual e a de 2010 não pode ser feita em todos eles, por falta de dados da época. O estudo mostra ainda que a igualdade de gênero é bastante valorizada por quase toda a população em muitos países. No Reino Unido, França e Alemanha, assim como nos Estados Unidos, Canadá, Argentina, Brasil e Austrália, mais de 85% dos entrevistados a consideram muito importante. Esse percentual diminui no leste da Europa, em países como Ucrânia e Rússia. O percentual também é menor na África. "Em ao menos 26 países, as pessoas com mais anos de estudo tendem a considerar mais importante a igualdade de gênero do que as que estudaram menos", diz o relatório. O estudo também questionou as pessoas sobre situações práticas. Quatro em cada dez entrevistados disseram que, em caso de uma crise, os homens devem ter prioridade nos empregos, e 56% se posicionaram contra essa afirmação. Já 54% disseram que os homens têm mais oportunidades de obter salários altos. Em outra questão, 44% disseram que os homens têm mais chances de assumir cargos de liderança, e 49% disseram que há possibilidades iguais. Em questões familiares, a maioria disse que ambos têm a mesma influência. Apesar disso, mais pessoas atribuíram aos homens a responsabilidade pelas finanças, e às mulheres a formação dos filhos. Sobre o futuro, 75% das pessoas disseram acreditar que um dia as mulheres terão os mesmos direitos e oportunidades que os homens. E 5% disseram que elas já atingiram essa condição. No entanto, na maioria dos países, os homens são mais otimistas quanto a isso do que as mulheres. No Brasil, 69% das mulheres disseram acreditar nessa possibilidade, enquanto o percentual entre os homens foi de 82%. "Comparado com outros países latino-americanos que pesquisamos, no Brasil as pessoas são relativamente menos otimistas sobre o futuro da igualdade de gênero e veem mais vantagens para os homens no país, como obter empregos com salários altos, ser líderes de suas comunidades, expressar suas visões políticas e ter uma boa formação, na comparação com Argentina e México", aponta Fetterolf.

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?