SÃO PAULO, 15 Mai (Reuters) - Com uma diluição relevante da participação da Cosan na Raízen ao final do processo de reestruturação financeira da endividada produtora de açúcar e etanol, é possível que a Cosan venda sua fatia na companhia, que será minoritária, disse o presidente da holding, Marcelo Martins, nesta sexta-feira.
O executivo lembrou, durante conferência para comentar os resultados trimestrais, que a Cosan não acompanhará a Shell -- sua sócia na joint venture Raízen -- em um aporte de capital na empresa, que também é uma das maiores distribuidoras de combustíveis do Brasil.
Além disso, há negociações evoluindo com credores da dívida da Raízen para conversão do endividamento em ações da empresa, disse o CEO da Cosan, que também lida com elevado endividamento.
"Significa (para a Cosan) que, considerando o tamanho da conversão, isso vai resultar em diluição substancial" da participação da empresa na Raízen, destacou Martins.
"A gente ainda não sabe o tamanho (da conversão), algumas questões importantes estão sendo discutidas", acrescentou o executivo, citando, por exemplo, o "preço da conversão".
De qualquer maneira, a Raízen deixará de ser um investimento importante da Cosan, uma vez que ela será minoritária ao final da reestruturação, destacou.
"Estamos decidindo se teremos ações ordinárias ou preferenciais... (mas) a nossa participação na Raízen não deve ser expressiva", completou, acrescentando que "não é intenção da Cosan se manter em acordo de acionistas com a Shell", firmado inicialmente há cerca de 15 anos.
Martins disse que a Cosan deverá vender participação na Raízen, ainda que não se saiba ainda quando nem o tamanho da alienação.
"Isso posto, o que se pode esperar é que a gente tenha uma participação que pode ser vendida", disse o executivo, acrescentando que a Cosan não tem uma "decisão concreta" da participação que será vendida.
Com uma participação reduzida na Raízen, espera-se que a Cosan "vá buscar liquidez em algum momento", explicou Martins, falando sobre a venda das ações na companhia de açúcar e etanol.
(Por Roberto Samora; edição de Pedro Fonseca)




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