Início Mundo Taxas dos DIs perdem força sob influência do Fed, mas fecham com altas leves
Mundo

Taxas dos DIs perdem força sob influência do Fed, mas fecham com altas leves

Reuters

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 29 Jul (Reuters) - Após sustentarem ganhos firmes mais cedo, as taxas dos DIs chegaram a virar para o negativo durante a tarde, em meio a comentários do chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, mas encerraram a sessão regular com altas leves, num dia em que o petróleo no exterior voltou a superar os US$90.

Os dados de empregos formais no Brasil mostraram geração de vagas acima do esperado, mas no pior ritmo para o mês desde 2020, reforçando a leitura de que o mercado de trabalho está desacelerando.

No fim da tarde, a taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 estava em 13,995%, com alta de 2 pontos-base ante o ajuste de 13,976% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, o DI para janeiro de 2035 marcava 14,68%, com aumento de 4 pontos-base ante 14,64%.

Até a metade da tarde as taxas sustentaram ganhos firmes, de mais de 10 pontos-base em alguns vencimentos, acompanhando o avanço dos rendimentos dos Treasuries e do petróleo que antecedeu a decisão do Fed sobre juros, às 15h.

Como esperado, o Fed manteve sua taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75%, mas a decisão foi dividida: enquanto nove membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) votaram pela manutenção, três defenderam um aumento de 25 pontos-base já nesta reunião.

Logo após o anúncio, os rendimentos dos Treasuries de curto prazo e as taxas dos DIs desaceleraram os ganhos, mas durante a entrevista coletiva de Warsh o enfraquecimento se consolidou.

Na entrevista, Warsh ressaltou o compromisso do Fed com a meta de inflação de 2% e disse que a instituição não hesitará em agir. Ao mesmo tempo, citou dados de inflação “animadores” e disse que os membros do comitê continuarão a acompanhar as informações de mercado.

Durante os comentários de Warsh, os rendimentos dos Treasuries de dois anos se firmaram em queda.

No Brasil, as taxas dos DIs acompanharam o movimento. Após marcar a máxima de 14,070 (+9 pontos-base) às 9h16, ainda na primeira hora da sessão, a taxa do DI para janeiro de 2028 atingiu a mínima de 13,925% (-5 pontos-base) às 16h02, em meio aos comentários de Warsh. Já o DI para janeiro de 2035 variou entre a máxima de 14,695% (+6 pontos-base) às 9h16 e a mínima de 14,585% (-6 pontos-base) às 15h, no minuto do anúncio do Fed.

O viés de baixa, no entanto, não se consolidou no Brasil, com as taxas voltando a exibir altas nos contratos a partir de janeiro de 2028, ainda que distantes das máximas do dia.

“Parte dos dirigentes (do Fed) continua demonstrando preocupação com uma inflação que segue acima da meta e defende uma postura mais restritiva, o que levou os investidores a aumentar a probabilidade de uma nova alta de juros nos próximos meses”, ponderou Gabriel Redivo, sócio e diretor de gestão da Aware Investments.

“Esse cenário pressiona principalmente a curva de juros americana, especialmente nos vencimentos mais curtos, e acaba refletindo também nos mercados emergentes, como o Brasil”, acrescentou.

O avanço firme do petróleo Brent no exterior, para acima dos US$90 o barril, foi outro fator de suporte para a curva brasileira, em meio às preocupações do mercado com o efeito inflacionário da guerra no Oriente Médio.

No Brasil, a perda de força das taxas futuras ocorreu já após os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que mostraram abertura de 145.161 vagas formais de trabalho em junho, acima dos 115.000 postos projetados por economistas ouvidos pela Reuters.

Apesar do resultado acima do esperado, o saldo de junho foi o menor para o mês desde 2020, quando 53.381 vagas foram fechadas durante a pandemia de Covid-19.

Para o economista Rodolfo Margato, da XP, há sinais de desaceleração do mercado de trabalho brasileiro, e não de contração.

“Projetamos que o ritmo médio de criação de empregos formais arrefecerá de aproximadamente 110 mil por mês em 2025 para 80 mil por mês em 2026”, afirmou Margato em comentário escrito.

Às 16h47, o rendimento do Treasury de dois anos--que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo-- tinha queda de 4 pontos-base, a 4,234%, após ter sustentado ganhos firmes antes da decisão do Fed. Já o retorno do rendimento de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 6 pontos-base, a 4,665%.

(Edição de Pedro Fonseca)

Siga-nos no

Google News

Receba o Boletim do Dia direto no seu e-mail, todo dia.

Comentários (0)

Deixe seu comentário

Resolva a operação matemática acima
Seja o primeiro a comentar!