RIO — O que o círculo vicioso dos executivos japoneses, a luta de da comunidade subsaariana no Monte Gurugú, no Marrocos, e as famílias espanholas destruídas pela crise econômica têm em comum? As três histórias, em três continentes diferentes, têm como fio condutor as palavras de , ex-presidente do Uruguai, e estão no documentário , lançado nesta quarta-feira no Brasil.
— São três histórias em três continentes diferentes entrelaçadas: dois executivos japoneses em Tóquio cujas vidas estão no círculo vicioso de trabalhar em corporações e de consumismo; uma comunidade subsaariana no Monte Gurugú, perto da fronteira entre a África e Melilha, que arrisca suas vidas, todos os dias, tentando atravessar rumo ao Primeiro Mundo; e famílias na Espanha que são destruídas pela crise econômica, a especulação imobiliária, corrupção política e sendo despejadas de suas casas como resultado — diz Pablo Godoy-Estel, um dos produtores do documentário.
A ideia para a produção nasceu quando García López visitou o Uruguai e ouviu o discurso do então presidente Mujica. O contraste de um chefe de Estado perto do seu povo, que morava em uma casa quase do mesmo jeito que a maioria da população, foi algo muito forte para quem vinha de uma Espanha em crise, com governantes quase inacessíveis.
Foram muitos meses de trabalho e insistência até que Mujica aprovasse uma primeira versão de “Frágil Equilíbrio”, e entendesse a importância da sua participação no projeto. Depois de persistir diariamente, por quase seis meses, a entrevista — que era para durar apenas uma hora, mas acabou se estendendo — foi concedida. E o resultado foi aprovado:
— Mujica viu o filme antes da estreia, conforme prometido. E agradeceu pela forma como transformamos suas palavras em imagens de tanta beleza — conta a produtora Marina García López. — Foi nosso grande prêmio.
No Brasil, os produtores planejam fazer as coisas de um jeito nada tradicional: vão disponibilizar o filme no “Vimeo On Demand” para todo o país, o que não fecha as portas para projeções especiais ou de até uma futura distribuição nos cinemas.
E o documentário chega já premiadíssimo. Arrebatou o Goya, na categoria de Melhor Documentário; e saiu como vencedor de Melhor Documentário Espanhol na Semana do Cinema de Valladolid, na Espanha. Não sem percalços: além das dificuldades de se gravar em um campo de refugiados ou em prédios ocupados por sem-tetos, filmar um documentário em muitos países foi um desafio para uma produção independente por questões de orçamento e de tempo.
— Nós nos comunicamos com colegas conhecidos em diferentes partes do mundo e explicamos o que estávamos procurando fazer e porque, além do que necessitávamos. Demos a eles as especificações técnicas corretas e assim tivemos todas as imagens que precisávamos — explica Godoy-Estel.

