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Catalunha é região da Espanha com mais jihadistas

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BARCELONA — Os atentados na Catalunha representam para as forças de segurança um pavoroso e antigo temor que se tornou realidade. Há anos os Mossos d’Esquadra e a Polícia Nacional monitoram com mais atenção a comunidade islâmica da região, considerada pelo Informe Anual de Segurança Nacional de 2016 a “que se caracteriza por ser a mais radical e com mais vínculos com outros extremistas da Europa”. Desde 2012, houve 30 operações antijihadistas na Catalunha , com 62 prisões — de longe o maior número na Espanha.

Manuel H., analista de terrorismo e colaborador da Universidade Carlos III, explica que a dimensão da comunidade muçulmana na região dificulta a identificação de possíveis terroristas, além de outras características específicas do grupo instalado ali.

— Há anos que extremistas planejam um atentado na Catalunha. Como em 2008, quando uma grande ação foi impedida. Na Catalunha, há cerca de 550 mil muçulmanos. É mais fácil para um terrorista passar despercebido num grupo tão grande. Ela é a Comunidade Autônoma com o maior número de operações e detenções policiais por suspeitas de jihadismo na Espanha — salienta.

Em abril deste ano, o Departamento de Segurança Nacional anunciou a prisão de um salafista (radical islâmico) e o desmonte de uma célula do Estado Islâmico (EI) em Alicante, na Comunidade de Valência, na fronteira com a Catalunha. Segundo o governo catalão, os salafistas são o maior grupo entre os muçulmanos que residem na comunidade e são considerados um risco para os que lidam com a prevenção de ataques.

— Dentro do mundo islâmico, os salafistas são aqueles que têm que voltar a viver o passado para recuperar a confiança de Alá. Dentro desse grupo, há alguns, não a maioria, que se radicalizam e correm o risco de se tornarem terroristas — acrescenta Manuel H. — Além disso, a Catalunha concentra uma grande população de imigrantes do Paquistão. Mais que qualquer outra comunidade. Com tantas pessoas, é mais difícil identificar uma ameaça ligada antes à al-Qaeda e hoje ao Estado Islâmico.

Segundo o informe, a Catalunha é onde “os processos de radicalização detectados foram os mais rápidos”. Nos últimos cinco anos, o crescimento do EI se refletiu na região, fazendo com que as forças de segurança gastassem mais orçamento em armas pesadas. Segundo fontes do Ministério do Interior citadas pelo “La Vanguardia”, em dezembro de 2016 o nível de alerta de terror já era 4 e fez com que a polícia catalã comprasse 72 fuzis.

Por outro lado, Manuel H. ressalta características geográficas que podem tornar a região ainda mais suscetível à formação de células radicais: a fronteira com a França, que poderia ser uma rota de fuga, e o contato com o Mediterrâneo, que pode representar uma inspiração para terroristas oriundos da Síria.

— Nos últimos cinco anos, os processos de radicalização aumentaram, envolvem mais gente, e se tornaram mais rápidos. Além do aumento da propaganda do EI, das informações em redes sociais, e do aumento do fluxo de pessoas na Europa, alguns radicais se sentem influenciados pela percepção de ter uma cercania física com o grupo, pois há zonas da Síria que tocam o Mediterrâneo e são onde estão alguns terroristas — explica. — Barcelona é muito turística. Movimentada. E está próxima à França.

O aumento dos grupos extremistas e da realização de ataques por toda a Europa também faz crescer parte da propaganda jihadista para recuperar o “al-Andalus”, território da Península Ibérica que esteve sob controle muçulmano por mais de 700 anos na Idade Média.

— Para os radicais, recuperar a época mais grandiosa de sua história é fundamental — alerta o especialista.

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