Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 8 Jun (Reuters) - Em uma sessão de maior volatilidade, as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) fecharam a segunda-feira com altas, em especial no contrato para janeiro de 2028, dando continuidade ao movimento mais recente de reprecificação na curva a termo brasileira.
No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 14,845%, em alta de 20 pontos-base ante o ajuste de 14,644% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,68%, com ganho de 3 pontos-base ante o ajuste de 14,652%.
Foi a sexta sessão consecutiva de elevação na curva brasileira, com investidores aumentando as apostas de que o Banco Central cortará menos a taxa básica de juros, hoje em 14,50% ao ano.
“Nos últimos 30 dias tem ocorrido forte reprecificação das curvas de juros globais após as taxas de inflação ao produtor (PPI) mais altas registradas na China, Japão, EUA, zona do euro e Brasil”, pontuou em relatório o diretor de pesquisa econômica do Banco Pine, Cristiano Oliveira, defendendo que este processo ainda não terminou.
No Brasil, desde o dia 29 instituições financeiras intensificaram as mudanças em suas projeções para a inflação e a Selic, na esteira do resultado robusto do Produto Interno Bruto (PIB) e de outros indicadores divulgados posteriormente.
No mercado de renda fixa, isso tem se traduzido nas apostas de uma Selic mais elevada do que o originalmente projetado.
Na última quinta-feira -- dado consolidado mais recente -- as opções de Copom negociadas na B3 precificavam 53,05% de probabilidade de novo corte de 25 pontos-base da Selic este mês, contra 45,5% de chance de manutenção da taxa básica em 14,50%.
Uma semana antes, em 28 de maio, os percentuais eram de 82,5% para corte de 25 pontos-base e 13,75% para manutenção. Para a decisão seguinte, em agosto, as apostas na paralisação do ciclo já são majoritárias: 77% para manutenção da Selic e 16,1% para corte de 25 pontos-base.
No boletim Focus divulgado pelo Banco Central pela manhã, a projeção mediana para a inflação em 2026 subiu pela 13ª semana consecutiva, de 5,09% para 5,11%. No caso de 2027, variou de 4,02% para 4,03%. Já a Selic calculada para o fim deste ano foi de 13,25% para 13,50% e para o encerramento do próximo ano passou de 11,25% para 11,50%.
“Mantemos a estimativa de que o Copom deverá interromper o ciclo de calibração com a Selic em 14% a.a., mantendo-a neste patamar até que as expectativas de inflação convirjam para patamar próximo ao centro da meta no horizonte relevante”, comentou Oliveira. “Ainda assim, reconhecemos que o balanço de riscos passou a apontar para uma probabilidade crescente de interrupção do ciclo já na reunião de 17 de junho, embora este ainda não seja nosso cenário-base.”
Após atingir a mínima de 14,550% (-9 pontos-base) às 9h02, logo após a abertura, a taxa do DI para janeiro de 2028 -- um dos mais líquidos do mercado -- atingiu a máxima de 14,880% (+24 pontos-base) às 16h15, em um momento em que os rendimentos dos Treasuries também avançavam, com investidores atentos ao Oriente Médio.
Irã e Israel anunciaram nesta segunda-feira a suspensão dos ataques mútuos após um apelo do presidente dos EUA, Donald Trump, para que parassem imediatamente com os disparos. No entanto, Teerã afirmou que retomará os ataques caso Israel siga atingindo o Hezbollah, seu aliado, no Líbano.
Às 16h36, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 2 pontos-base, a 4,556%.



Aviso