Por David Brunnstrom
20 Ago (Reuters) - A diplomata equatoriana Ivonne Baki, uma das oito candidatas na disputa para se tornar a próxima chefe das Nações Unidas, recorreu nesta quinta-feira à sua experiência na guerra civil no Líbano ao prometer que, uma vez no cargo, vai se concentrar na prevenção de conflitos.
Filha de imigrantes libaneses, Baki, que nasceu no Equador e viveu no Líbano durante a guerra civil de 1975 a 1990, também se comprometeu a liderar uma “renovação” das Nações Unidas.
“Há mais de 40 anos, em um porão em Beirute, onde morei durante toda a guerra, segurei meus três filhos nos braços enquanto bombas caíam ao nosso redor. Naquele momento, fiz uma promessa de que, se eles fossem poupados, dedicaria minha vida à paz. Tenho cumprido essa promessa desde então”, disse ela em um diálogo informal com países membros da ONU e grupos da sociedade civil para avaliar os candidatos que disputam a sucessão de António Guterres.
Guterres deixa o cargo no final do ano, após dois mandatos de cinco anos como secretário-geral da organização.
Seu sucessor assumirá o posto em meio à pressão por reformas da Organização das Nações Unidas, que, segundo críticos, tornou-se inchada e onerosa. O Conselho de Segurança da ONU, composto por 15 membros, deve realizar uma segunda votação informal sobre os candidatos nesta sexta-feira.
Baki afirmou que a ONU deve priorizar a prevenção de conflitos e se comprometeu a empregar sua diplomacia pessoal neste fim.
“Estarei no terreno, não apenas atrás de uma mesa em Nova York... em zonas de guerra, em áreas de tensão, dialogando diretamente com todas as partes para impedir que os conflitos eclodam”, disse Baki, que tem 75 anos e é a segunda mais velha entre os candidatos.
Baki também se comprometeu a trabalhar para tornar o Conselho de Segurança mais representativo, afirmando que ele permaneceu “congelado nos cenários geopolíticos” do fim da Segunda Guerra Mundial.
Uma primeira sondagem informal no final de julho mostrou Rebeca Grynspan, da Costa Rica, como líder por uma pequena margem, seguida por Carolyn Rodrigues-Birkett, da Guiana, e Rafael Grossi, da Argentina.
Baki só foi indicada nesta semana, por isso não foi incluída na sondagem. Ela é a segunda candidata do Equador.
Outros candidatos ainda podem entrar na disputa, e as pesquisas podem se estender até outubro ou além dessa data.
PODER DE VETO
É fundamental evitar um veto por parte de qualquer um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança -- China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos --, e esses países têm visões de mundo amplamente divergentes.
Baki, que já atuou como ministra do governo equatoriano e como embaixadora na França, no Catar e nos Estados Unidos, já havia declarado a uma rádio equatoriana que sua candidatura conta com o apoio dos EUA e reconheceu publicamente sua amizade com o presidente Donald Trump e com o ex-presidente Bill Clinton.
Os Estados Unidos não se pronunciaram sobre essas declarações.
Os outros candidatos são a ex-presidente chilena Michelle Bachelet, a ex-ministra das Relações Exteriores do Equador Maria Fernanda Espinosa, o ex-presidente senegalês Macky Sall e o diplomata ugandense Olara Otunnu.
Por tradição, o cargo é alternado entre as regiões, sendo a América Latina considerada a próxima na fila, e tem havido apoio para que uma mulher assuma o cargo pela primeira vez.
(Reportagem de David Brunnstrom)




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